Zumbis: As Vezes Os Mortos Voltam

“Quando não houver mais lugar no inferno os mortos caminharão sobre a terra”, é com essa celebre frase do exemplar filme Despertar dos Mortos (1978) que venho tentar mostrar um pouco como surgiu e como até hoje os mortos vivos ainda fazem sucesso. Tomando conta de filmes, livros, séries de televisão, brinquedos e da cultura mundial. Especificamente sobre a influência desse tema no cinema é o que abordei nesse post.

Lanchinho

LEVANTE E ANDE!

A história de que os mortos podem andar e até ser controlados, vem da crença popular africana explorada no Vodu, onde acreditam que uma pessoa morta pode ser revivida por um feiticeiro. A palavra ‘Zumbi’ vem de um idioma africano, e significa ‘alma de pessoa falecida’.

O primeiro filme a explorar o tema sobre zumbis foi White Zombie – Zumbi Branco (1932). O filme tem como ator principal o saudoso e eterno ‘Drácula’ Bela Lugosi, interpretando Legendre, um feiticeiro que revive os mortos para trabalharem em sua fábrica. Dirigido por Edward Halperin e Victor Halperin. A idéia deu tão certo que em 1936 houve uma seqüência também dirigida por eles chamado Revolt Of The Zombies (Revolta Dos Zumbis).

             

Mas o tema se tornou realmente notório 32 anos depois com o lançamento do clássico absoluto Night Of The Living Dead – A Noite dos Mortos Vivos (1968),  dirigido pelo diretor George A. Romero, é considerado o pai dos filmes modernos sobre a temática zumbi. Com um orçamento de pouco mais de 110 mil dólares e utilizando escassos cenários, se tornou polêmico por sua violência explicita e final “não feliz”, chamado até de satânico e muito criticado pelos mais conservadores.

A partir daí a coisa tomou novos ares e se espalhou pelo mundo todo, em 1971 o diretor espanhol  Amando de Ossorio nos amedronta com o assombroso e impressionante La  Noche Del Terror Ciego – A Noite do Terror Cego, o filme narra a lenda dos Cavaleiros Templários, que em um dia especifico levantam de suas tumbas atraídos pela respiração e gritos de suas vítimas. Gore e mais gore, cenas realmente impressionantes.

Em 1978 George A. Romero nos presenteia com a seqüência Dawn of the Dead – Despertar dos Mortos. Onde um grupo de pessoas se refugia em um shopping num mundo já tomando por zumbis, criticando explicitamente o consumismo das pessoas até mesmo após a morte.

Outro país que pegou carona nas obras americanas foi a Itália, não que isso tenha sido ruim, pelo contrário, o diretor Lucio Fulci conseguiu nos mostrar em Zombie – Zumbi 2 (1979) os zumbis na sua pior forma possível, putrefatos, caindo aos pedaços, coberto de vermes e saindo de túmulos. Não é um filme para todos os gostos, tem que ter estômago, destaque para a cena onde um zumbi lentamente empurra a mulher até um pedaço de madeira furando seu olho.

Os anos que se seguiram foram de ascensão do tema, com o gore de Day of the Dead – Dias dos Mortos(1985) , também dirigido por George Romero; o divertido The Return of the Living Dead – A Volta dos Mortos Vivos (1985), baseado no primeiro filme de Romero, mas aqui numa versão “comédia”; The Serpent and the Rainbow – A Maldição dos Mortos Vivos (1987), dirigido pelo inventor do Freddy Krueger, Wes Craven; já em 1990 temos o remake de Night Of Living Dead, dirigido por Tom Savini, conhecido como um dos reis dos efeitos especiais no mundo do terror.

    

  

DE VOLTA PRA TUMBA

Os anos 1990 não tiveram muita notoriedade nesse subgênero, sendo um pouco esquecido por algum tempo. Destaque para Braindead aka. Dead Alive – Fome Animal (1992), um ícone trash dirigido pelo vendido Peter Jackson, é, antes de Senhor dos Anéis o cara contribuiu muito para o mundo do horror.Merece destaque também o italiano Dellamorte Dellamore aka Cemetery Man – Pelo Amor e Pela Morte (1994), Francesco é o zelador de um cemitério, cuidando de enterros e de toda infraestrutura do lugar, o único problema é que após 7 dias os mortos voltam a vida, e sua missão é dar aquele velho headshot. Até que um dia ele se apaixona pela viúva de um dos falecidos que visita freqüentemente o túmulo do moribundo. Após uma cena de sexo bucólica num túmulo a viúva é mordida pelo marido zumbi, agora matar ou não matar a mulher de sua vida? Eis a questão. Parece meio estranha a história, mas nada disso, é bem surreal e inteligente, dando uma boa passada pelo humor negro, mais uma bela obra italiana.
  

 

 

ASCENSÃO: VELOZES,  FURIOSOS E FORTES 

Já nos anos 2000 a horda zumbi está de volta, só que dessa vez um pouco mais ligeira e sem muita criatividade.

Em 2002 temos o fraco e sem sal Resident Evil – Resident Evil: O Hospede Maldito, baseado no clássico jogo de vídeo game, o filme agradou apenas aos fãs do jogo e jovens que nunca tinham assistido a qualquer filme sobre zumbi de verdade; no mesmo ano temos ainda o até interessante 28 Days Later – Exterminio (2002), o filme conta a história de Jim, um rapaz que após 28 dias em coma acorda no hospital abandonado e se vê numa cidade deserta, começa ai uma jornada pela sobrevivência sem saber o que realmente aconteceu; em 2004 temos outro remake de um filme de George Romero, Dawn of the Dead – Madrugada dos Mortos, filme em que os zumbis são fortes e correm (?), atrás de suas vítimas trancafiadas em um shopping, também cultuado por muitos, mas verdadeiramente desnecessário.

Mas como uma luz no meio de tantos filmes medianos, eis que o ‘pai dos zumbis’ nos salva outra vez com o ótimo Land of the Dead – Terra dos Mortos (2005), George Romero dessa vez usa um pouco da tecnologia para contar uma história de uma terra tomada por zumbis, os poucos humanos que sobraram vivem em uma cidade cercado por muros e barreiras. Enquanto os mais ricos vivem em prédios isolados e protegidos controlados por um milionário, os moradores mais pobres sucumbem pelas ruas, onde a violência, o uso de drogas e roubos proliferam cada dia mais, aquela velha crítica sempre presente nos filmes de Romero, esse é o cara!

E não poderia de deixar de comentar a surpresa e originalidade de [Rec] – [Rec] (2007), criado pelos espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza, o filme trouxe a tona uma velha forma de narrativa, o mockumentary –  falsos documentários, feitos para enganar o espectador, ficou mais popularizado após o lançamento de ‘A Bruxa de Blair’. Toda a história é mostrada através da câmera de uma reportagem, onde uma repórter e um câmera gravam um programa sobre a vida noturna num batalhão de bombeiros, após um chamada supostamente comum, eles acompanham os bombeiros até um prédio e lá descobrem que a coisa é mais séria do que pensavam. Ótimas cenas de sustos, reviravoltas na história e o tema do satanismo inserido de maneira bem interessante tornaram essa película um grande destaque no meio de tanta bomba lançada ultimamente.

Também em 2007 temos outro filme de Romero, Diary of the Dead – Diários dos Mortos (2007), também usando a narrativa de mockumentary, onde os próprios personagens é que filmam a história num mundo invadido por zumbis enquanto tentam sobreviver, muitas cenas de violência como sempre.

             

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO ATACADO!

Nos anos 2000 também tiveram a volta do chamado “terrir”, apresentado pela primeira vez com o tema zumbi ‘A Voltado dos Mortos Vivos’, já citado aqui. Mostrando que nem tudo deve ser levado a sério, nem mesmo o mundo pós-apocalíptico, temos películas até divertidas como o britânico Shaun of the Dead – Todo Mundo Quase Morto (2004), conta de maneira hilária a história “romântica” de Shaun, um cara inútil e acostumado a todo dia com a rotina tosca de sua vida, conseguindo assim com seu desleixo com tudo perder sua namorada, até que zumbis começam invadir a cidade, demorando a ser percebido por ele a situação. Cenas bem engraçadas, críticas e paródias de clichês em filmes de zumbis, tornam essa película indispensável pra quem curte humor negro.

Outro que bebeu da fonte do terrir zumbi é o canadense Fido – Fido: O Mascote (2006), filme mostra a história de uma família numa cidade onde é comum os zumbis perambularem pela ruas, com isso uma empresa inventa uma coleira que deixa os zumbis dóceis e úteis para os humanos. Timmy, um garoto solitário, tem sua vida mudada após sua mãe lhe dá de presente um zumbi como mascote, tornando-se seu melhor amigo. Filme faz uma critica bacana sobre o preconceito e as recompensas de se arriscar por alguém.

Nem só de Black Metal vive a Noruega, de lá também surgiu um terrir bacana, Død Snø – Dead Snow (2009), narra a história de um grupo de jovens que vão para uma estação de esqui meia isolada do mundo, lá eles encontram um velho que conta sobre uma batalha com soldados nazistas que houve no lugar. Depois de encontrarem um baú cheio de ouro eles sem querer acordam a horda de zumbis nazistas mortos ali. É um filme bacana, se você relevar os erros de roteiros e pensar só na diversão, muito gore e cenas tão absurdas que só nos resta rir.

Zombieland – Zumbilândia (2009), filme foi um sucesso comercial arrecadou cerca de US$102,133,700 mundialmente, se tornando a maior bilheteria de um filme sobre zumbis. Por que? Só vendo para perceber que é merecido. Arranca risos em situações toscas e desnecessários, mas de tão bem feitas acabam sendo divertidas. Columbus é um cara extremamente covarde, mas tem seus próprios métodos para sobreviver em um mundo infestado por zumbis, que se junta com mais duas garotas e um caçador de zumbis bravinho. É risada no começo ao fim, temos até a participação de Bill Murray, interpretando ele mesmo (?), isso mesmo, o gordinho do Caça Fantasmas.

Lembrem-se: Atire sempre na cabeça!

That heart you gone must be waiting for ya?

Essa semana me dediquei a sétima arte com muito intuito, vi filmes maravilhosos e outros que não merecem nem ser mencionados. Dentro de filmes bons ou ruins, vi alguns interessantes.
Depois de muito tempo tentando e, por não ter conseguido ver no cinema, confesso que deu muito trabalho conseguir assistir Biutiful, só quase três meses depois o achei. E confesso que me decepcionei bastante com o filme, imaginava um filme melhor do Alejandro González Iñárritu, talvez estejamos mal acostumados depois de Amores Perros, 21 Gramas, Babel. O filme em si gira em torno de uma vida sem efeito, de idéias que não concretizam. O filme é escuro, escuro também como a vida do personagem principal, vivida pelo ótimo ator Javier Bardem, que salva o filme. Um homem que está em seus últimos dias de vida e tem dois filhos para criar e uma mulher viciada, tinha tudo para ser uma bela história, algo melancólico, chocante, algo que já vimos nos outros filmes de Iñárritu, mas nesse não conhece. O filme é rodado na Catalunha, em uma parte suja, escura, feia, constratando com o ambiente do filme. Então quem for assistir, não vá esperando muita coisa – assim como fui, para não se decepcionar.
Um filme que assisti algumas semanas atrás e até hoje está na minha cabeça foi Never Let Me Go (Não me abandone jamais) baseado no livro de Kazuo Ishiguro. Quando eu li esse livro, reli algum tempo depois, por ser tão bom, uma história impactante que te faz pensar por muitos dias, uma história que fica com você, uma bela história. Como é díficil comparar filme e livro, fui assistir o filme com outros olhos, porque algo me dizia que o filme seria tão bom quanto o livro e, o filme me surpreendeu mais ainda, é um filme maravilhoso. Simples, minimalista, uma bela história, uma fotografia impecável, atores ótimos como Carey Mulligan, Keira Knightley e Andrew Garfield. Os três estão maravilhosos no filme, até a Keira que muitas vezes é sem graça, conseguiu atuar melhor. A história gira em torno desses três personagens e sobre a doeção que eles terão que fazer, por serem espécies modificadas geneticamente para ajudar os outros. A história tem toda uma ingenuidade, que você tem vontade de abraçar os personagens. Há momentos tão belos vividos por eles, descobertas, coisas tão bobas ao nosso ver, mas que fazem o filme rodar lentamente. Não adianta por em palavras o sentimento após ver esse filme, todo mundo deveria assistir e depois ficar pensando sobre ele, porque ele foi feito exatamente para isso, você não vai encontrar mil explicações sobre a vida deles, como tudo funciona, como foram feitos, é feito simplesmente para você se deixar imaginar e pensar por ele, e depois não querer largá-lo mais. Um nome nunca fez tanto sentido depois de ler/assistir esse filme, porque você realmente não consegue largá-lo.

Passion sentimentale.

Quando o Cinema surgiu na França, em uma criação dos irmãos Auguste e Louis Lumière, certamente eles não imaginavam a proporção que isso teria no futuro.
Cinema é muito mais que culto a arte, é uma variação da realidade, uma emoção que nos transporta por um mundo paralelo ligado apenas a nossa imaginação em criar e, imaginar coisas ao acontecimentos que fogem do nosso controle cotidiano. Suas histórias, suas mensagens, suas fábulas modernas. Não importa o assunto, nem o diretor, não importa a época, o tempo, o clima, o cinema é atemporal, um filme permanece na nossa vida para sempre, uma obra filmada não acaba, ela atravessa gerações, mostra seu valor a cada década. E não há tecnologia que fará acabar com essa magia. O Cinema é centenário, passou do mudo para o falado, criou-se o musical, o drama, a ação, a aventura, o amor, a comédia, as diversas formas de divertir e tornar mais uma forma de amar. Cinema faz parte da vida de todas as pessoas, umas veneram, outras apreciam, cinema é partícula fundamental da vida – ouso dizer, partícula necessária na minha vida, sem a qual não viveria. Depois que você começa a apreciar a sétima arte, não consegue parar, começa a analisar diretores, ter uma preferência por atores, tira um preconceito de qualquer obra, começa a enxergar cada detalhe de uma pelicula, começa a dar valor para cada pequeno fundamento de uma obra. Cinema é mais que diversão, é um ato de amor. Seja em qualquer uma de suas peculiaridades, é uma coisa infinita.
Agradeço por meus olhos captarem a mágica que transpassa através daquela tela, seja ela minúscula, ou em uma sala de cinema, a emoção em ver um filme. Muitos filmes marcaram minha vida, muitos outros vão vir, e cada um dos que considero melhores passaram alguma coisa de muito valor a minha vida, passaram coisas que o tempo não vai apagar. Acho maravilhoso a forma como são feitos cada filme e, como alguns podem nos marcar tanto, nos fazer rir e chorar em questões de segundos, como nos prendem, nos fixam a eles. Cinema é uma paixão, um amor, um carinho, uma arte que prevalecerá sempre em minha vida e, só quem aprecia essa arte fielmente sabe que ela jamais deixará de existir. Viva, ame, respire o cinema!

Efeitos e defeitos.

Uma das coisas que sempre reparo e me fazem ficar bastante decepcionado no cenário do horror e cinema fantástico em geral, são as produções de efeitos especiais e a maquiagem introduzidas atualmente. Com o avanço da tecnologia e a invasão dos computadores para facilitar os trabalhos, foi inevitável a artificialidade do que antes se precisava de muita criatividade e imaginação.

Alguns abusam dessa “mãozinha” tecnológica, o que torna a película algo  dissimulado e absurdamente tosco. Claro que em tudo há uma exceção, existe boas  produções, onde a inserção de efeitos computadorizados é imprescindível. Como  em filmes de monstros super desenvolvidos, poderes sobrenaturais made in Japan,  superheróis, entre outros.

Nas produções do passado a coisa era outra, ou você tinha uma imaginação fértil e  inventividade, ou os efeitos e maquiagens do filme iriam por água abaixo. A década  de maior expressividade nesse setor com certeza foi a de 1980, com filmes como:  Cannibal Holocaust, Guinea Pig, Evil Dead, Day of the Dead, City of Living Dead,  Friday The 13th, Hell Night, Re-Animator, House by the Cemetary. Histórias de  zumbis, canibalismo e slashers foi um prato cheio para por em prática toda a  sanguinária maquiagem característica desses estilos. Sangues artificiais e até  mesmo de animais, massas de modelar, bonecos, gelatinas, espumas, mascaras;  foram usados de maneira a ser o mais real possível, o que muitas vezes enganavam  os espectadores mais leigos.

A maquiagem não é só um recurso estético para o cinema, é também essencial para elaboração do personagem. Acrescentando no ator/atriz alguma característica que ele (a) não tenha.

Um dos maiores mestres dos efeitos especiais de filmes de Terror dos últimos 30 anos é o ator, diretor, maquiador Tom Savini. Qualquer pessoa que seja fã do gênero deveria conhecer a trajetória desse cara, responsável pelos efeitos e maquiagens de filmes como: Despertar dos Mortos (1978), Sexta-Feira 13 (1980), O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986), Dia dos Mortos (1985), Sexta-Feira 13 – Capítulo Final (1984), Maniac (1980) – onde ele próprio faz uma participação como vítima e tem cabeça explodida por uma espingarda, sem cortes.

Talvez a beleza do bom efeito especial e maquiagem estejam na falta de orçamento e limitação de recursos. Isso estimulava toda a criatividade e tirava toda a pretensão do filme se tornar uma grande produção. Ultimamente com tantos remakes desnecessários de filmes horror, poderia ser a deixa para produzirem algo tão bom quanto o original, talvez assim os remakes seriam menos odiados pelos fãs das películas originais.

 

Os 15 filmes mais bizarros do mundo cinematográfico

Não só de romances emocionantes, grandes produções e histórias fantásticas vive o cinema, isso é sabido. Assim como no mundo real, existe também o lado obscuro da coisa, onde a mente mais perversa e louca perambula. Sabemos que o ser humano pode chegar ao estado de praticar algumas anormalidades: necrofilia, incesto, scat, canibalismo, blasfêmia, masoquismo e outras insanidades possíveis. Mas e quando isso é mostrado em filmes, sem censura ou qualquer tipo de preocupação com quem irá assisti-lo? É o que decidi reunir aqui, algumas das obras mais perturbadoras feitas para o cinema. Lembrando que é uma lista feita com os filmes que já assisti e não está em ordem de melhor ou pior, sei que existem dezenas de outros filmes iguais ou mais bizarros ainda, que em futuro próximo irei assistir e postarei aqui. Então vamos lá, segure-se firme e boa sorte!

15. Nekromantik (1987)

Diretor: Jörg Buttgereit

País: Alemanha

“O quê vive que não vive da morte dos outros?” Já começamos lendo isso após um aviso de que algumas cenas do filme podem ser grotescas e ofensivas, e não devem ser mostradas a menores (nem para alguns maiores, na minha opinião). O filme é basicamente sobre necrofilia, onde mostra a vida do nosso protagonista, que trabalha na “Agência de Limpeza do Joe”, coletando mortos e o que sobrou deles após um acidente, assassinato, etc. Como se não bastasse, o cara rouba e coleciona pedaços dos cadáveres em sua casa, onde mora com sua mulher, que aprecia a “arte”.

 

Não se contentando com pouco, ele finalmente tem a oportunidade de roubar um dos cadáveres e levá-lo pra casa (para alegria da mulher), a partir daí, vemos o fetiche mais bizarro que um ser humano pode ter: transar com um defunto em avançado estado de decomposição. A cena é doentia, em câmera lenta, com som de piano ao fundo; seria extremamente romântica, se não houvesse um defunto entre o casal, claro.

Banho com sangue de gato morto, cenas reais de um coelho sendo escalpelado vivo, orgasmo durante o próprio suicídio (numa cena tosca e cômica), tornam o filme como um dos mais bizarros já produzidos. Dirigido por Jörg Buttgereit  que também atuou e ainda ajudou a escrever, editar e a fazer os efeitos especiais, não é um filme muito bonito de se ver, mas vale pela experiência de conhecer um pouco desse estranho mundo dos necrófilos.

 

 

14. Subconscious Cruelty (1999)

Diretor: Karim Hussaim

País: Canadá

O filme é composto por duas histórias. A primeira mostra um rapaz que é apaixonado pela irmã que é prostituta, e sofre por vê-la com outros e não com ele. Após sua gravidez, ele decide cuidar dela e aprender como se faz um parto, com isso seus pensamentos insanos sobre a criação vão ficando cada vez mais intensos, decidido a fazer a pior coisa possível a um ser humano, sendo o próprio Deus. Durante o nascimento do bebê ele então se livra daquilo tudo que o incomodava: mata o feto com um grande anzol e sufoca a mãe aterrorizada, com o sangue do próprio bebê. Cenas surreais e estranhas completam essa história de amor e ódio.

Antes da segunda história temos uma “divisão” das tramas, onde mostra pessoas nuas, literalmente transando com a terra e a natureza que sangra.

A segunda história é sobre um homem que tem uma vida extremamente chata e monótona, em que a única diversão é chegar em casa após o trabalho e se masturbar  vendo filmes pornôs. Durante uma noite de sono ele se vê num pesadelo bizarro: o crucifixo que ele usa no pescoço é derretido e injetado dentro de sua própria cabeça, segundos depois vemos “Jesus” machucado e chorando na porta de uma igreja. Levado por três mulheres nuas para uma espécie de templo, malignamente elas comem sua carne, bebem seu sangue e ainda depois de todo sofrimento um pedaço de madeira é inserido em seu ânus.

O filme ataca profundamente as questões da fé e da existência humana, criticando os modos como a crença em Deus e nas religiões podem afetar de maneira negativa e insatisfatória o ser humano.

13. Aftermath (1994)

Diretor: Nacho Cerdà

País: Espanha

A película é um curta-metragem que se passa em um necrotério, onde é mostrada a história de um médico legista que após a chegada de um cadáver feminino se vê tendo desejos pelo mesmo. Aproveitando a deixa de estar sozinho com o cadáver, realiza suas vontades: tira fotos, se masturba e por fim penetra na pobre defunta. Tudo isso ao som de música clássica e não há nenhum diálogo, o que deixa ainda mais intrigante as cenas, onde os olhares é que mostram tudo.

Maquilagem espetacular e um final bacana, melhor que muito longa-metragem cheio de diálogos mas que não dizem nada.

12. Cannibal Holocaust – Holocausto Canibal (1980)

Diretor: Ruggero Deodato

País: Itália

Considerado um dos filmes mais controversos de todos os tempos e também é tratado como Cult no mundo do cinema de horror.

O filme narra a história de um professor que após o sumiço de quatro jovens que foram pesquisar sobre uma tribo canibal na Amazônia, é escalado pela universidade de NY e por um canal de TV parar ir até o lugar e descobrir o paradeiro dos jovens. O que ele encontra são apenas vestígios de que os jovens foram mortos e filmes da câmera usada por eles, onde mostram as cenas do que aconteceu. Canibalismo, empalamento, estupro, sexo, animais mortos de verdade (o que era normal na época). A maquiagem e os efeitos especiais são tão perfeitos que correram boatos após o lançamento do filme de que os atores foram mortos de verdade. Desmentido pelo diretor, que levou os atores a um programa de TV para provar que estavam todos vivos.

Quando o vi pela primeira vez fiquei impressionado tamanha a perfeição e realidade das cenas. No fim faz você refletir sobre quem são os verdadeiros selvagens.

 

 

 

11. Eraserhead (1977)

Diretor: David Lynch

País: Estados Unidos

Henry (John Nance), um pacato operário que trabalha numa gráfica com uma rotina em um apartamento não muito animadora, tem sua vida mudada após ir visitar a família de sua namorada (família bem estranha por sinal) e descobre que depois de um tempo sem a ter visto ela esteve grávida e nasceu um bebê prematuro. A partir daí começam as seqüências mais bizarras do filme, por quê? Henry e sua namorada Mary vão morar juntos no apartamento, obrigados a casarem pela mãe da moça. Imagine um feto que parece mais um uma minhoca ET que não para de gemer um minuto. Mary cansada de tudo resolve o deixar com o “bebê”. Somos levados aos sonhos de Henry, onde há uma mulher “fofão” e após sua cabeça ser cortada é usada para fazer lápis.

Um filme bastante surrealista e maluco, as cenas com o tal feto são bem nojentas, principalmente quando o mesmo fica doente. Primeiro longa-metragem de David Lynch, desde o começo mostrou que não é um diretor muito convencional.

10. Ex-Drummer (2007)

Diretor: Koen Mortier

País: Bélgica

Filme narra a história de três deficientes: um skinhead de língua presa, um surdo e um gay que não tem o movimento no braço direito (causado pelo trauma de ser flagrado pela mãe se masturbando), juntos eles querem montar uma banda de punk rock para tocar em um festival, mas necessitam de um baterista obrigatoriamente deficiente. É usada todo tipo de anormalidade cinematográfica pra torná-lo ainda mais louco: ação invertida, câmera lenta, enquadramentos fora do comum, planos sobrepostos, estética propositalmente suja e violência explícita.

Mostra toda a imundice fashion underground, temos a impressão de estar vendo um filme atrasado pra época, anormal é pouco.

9. Freaks – Monstros (1932)

Diretor: Tod Browning

País: Estados Unidos

Freaks foi muito mal compreendido na época, o que após seu lançamento foi proibido em vários países e banido de vez por 30 anos. Em 1962 foi redescoberto após uma retrospectiva em um Festival de Cannes. Tudo porque o que temos nessa película são aberrações humanas de verdade contratadas de Sideshows da época.

É contada história do anão Hans, umas das atrações do circo de horrores que se apaixona pela trapezista Cleópatra. Ao saber que o pequenino herdou uma fortuna, resolve armar um plano junto com seu amante Hércules: casar-se com o anão, matá-lo e apossar-se de sua fortuna. O plano acaba sendo descoberto pelas aberrações que resolvem se vingar. Há no máximo 5 pessoas no filme que não possuem deficiências, entre humanos deformados temos: Irmãs siamesas, anões, garota sem braço, rapaz sem pernas, microencefálicos, um homem sem nenhum dos membros e tudo mais que podem imaginar.

Uma película além de sua época, é impactante, extremamente crítico, surpreendente e bonito. Vemos com brilho nos olhos o quão são dóceis, carinhosos e felizes os seres, apesar de suas limitações, nos levando a refletir quem são as verdadeiras aberrações. Com certeza um filme indispensável para qualquer cinéfilo.

8. Funny Games – Violência Gratuita (1997)

Diretor: Michael Haneke

País: Áustria

Violência e covardia, palavras chave pra esse filme. Uma família é seqüestrada dentro da própria casa por dois sádicos rapazes onde passam férias, sofrimento físico e psicológico é causado o máximo possível. A trama é simples, sem um roteiro impressionante, reviravoltas na história, mas com um final nada feliz. Somos levados juntos com a violência mostrada, como se fizéssemos parte do que está acontecendo, principalmente numa cena em que um dos rapazes dá uma piscadela pra câmera, cheio da maldade, nos avisando que algo interessante vem por ai. Vale a pena ver por como as cenas são bem reais e cruéis.

Filme indispensável pra quem gosta de cinema alternativo, crueldade e humor ácido.

7. Guinea Pig – The Flower of Flesh and Blood (1985)

Diretor: Hideshi Hino

País: Japão

Guinea Pig é uma série japonesa de 7 filmes, criada para testar novas e diferentes técnicas de maquiagens boladas por estudantes de cinema. Tomou notoriedade no underground do terror extremo por causa de cópias raras e toscas, sempre com imagens ruins, sendo erradamente tratados como snuff movie (filmes onde há mortes de verdade dos atores). Sadismo, violência, transbordamento de crueldade, fazem dessa série uma das coisas mais sangrentas que alguém pode ver. Não é recomendada para pessoas impressionáveis e fracas do estômago.

Vou citar aqui particularmente a parte 2: Flower of Flesh and Blood. Um assassino seqüestra uma jovem no metrô, leva pra um lugar que parece ser sua casa, dopa a pobre moça e começa a mutilá-la vestido de samurai, recitando alguns “poemas” durante todo o processo. Depois vemos que ela é só mais uma, de várias outras vítimas, com seus pedaços guardados em vários lugares. As cenas são tão reais e convincentes, que reza a lenda que o ator Charlie Sheen após ver o filme, denunciou para um departamento americano de censura aos filmes, que logo contatou FBI que por sua vez contatou as autoridades japonesas as quais já investigavam o filme. Diretores foram presos, até mostrarem o making of das filmagens e explicar tudo. Esquisitices que você só encontra no Japão.

6. Irreversible – Irreversível (2002)

Diretor: Gaspar Noé

País: França

Após o estupro de sua mulher Alex (Monica Belucci), Marcus (Vicent Cassel) e seu amigo Pierre (Albert Dupontel), ex da moça, saem à procura de vingança, indo aos lugares mais podres da cidade. A ação do filme é invertida, ou seja, a história é mostrada de traz pra frente, exato! Começo do filme é na verdade o fim da história, nos mostrando como tudo chegou até ali. Não há cortes nas cenas, a câmera dá uma pirueta e nos leva para próxima cena, passeia com os personagens, cai, gira, deixa coisas de cabeça-para-baixo, foge de foco, coisas que desnorteiam. A cena do estupro e violência dura mais ou menos 10 minutos, sem cortes, como se a câmera tivesse sido deixada no chão, pra testemunhar o fato, é algo bem angustiante e forte.

É um dos melhores filmes que eu já vi, Gaspar Noé conseguiu fazer de uma história simples uma película bem complexa e intensa. Mente aberta é o mínimo que você tem que ter para assisti-lo.

5. Ichi, The Killer – Ichi, O Assassino (2001)

Diretor: Takashi Miike

País: Japão

Baseado no mangá de Hideo Yamamoto, é um dos filmes mais sanguinários, pervertidos, sem noção e violentos já produzidos. É narrada a história de dois personagens. Kakihara (masoquista ao extremo e afeminado), sub-chefe da gangue ‘do Anjo’; com o sumiço do chefe, descobre uma conspiração em toda a máfia e irá torturar várias pessoas pra descobrir quem está por traz de tudo. O outro personagem é o assassino, que dá nome ao filme ‘Ichi’, que desmembra e destroça suas vítimas com uma espécie de faca super potente nas botas e não poupa a vida de nenhum criminoso ou quem quer que ousa contrariá-lo.

Cortar a própria em língua em sinal de “desculpas”, jogar óleo fervente no cara pendurado por garras de ferro fincadas na pele, bochechas puxadas até sangrar, rosto usado como alvo de dardos, são algumas das cenas doentias desse filme, ainda com um pouco de humor. Mais uma das crias bastardas do Japão.

 

 

 

4. Pink Flamingos (1972)

Diretor: John Waters

País: Estados Unidos

Divine é uma drag queen que tem o estranho título de ‘pessoa mais asquerosa do mundo’ e se orgulha muito disso, vive com sua família em um trailer: seu filho Crackers, que adora transar com galinhas e com suas namoradas no galinheiro; sua mãe Mama Edie, uma velha estranha que vive em um berço e ama comer ovos crus; e Cotton, que adora ver Crackers se “satisfazendo” no galinheiro. Mas seu trono está ameaçado por um casal não menos bizarro que ela: eles seqüestram jovens que são estupradas no cativeiro por um empregado para engravidarem, após o nascimento dos bebês eles são vendidos para casais de lésbicas.

Filme é trash ao extremo, com cenas nauseantes; canibalismo, incesto, nudez, “dança do ânus” e mais algumas coisas escrotas, mas tudo com um humor negro indescritível; destaque para uma das cenas mais antológicas do cinema trash: Divine saboreando fezes caninas. É preparar o estomago e dar uma conferida.

3. Salò o le 120 Giornate di Sodoma – Saló ou 120 Dias de Sodoma (1976)

Diretor: Pier Paolo Pasolini

País: França/Itália

 

Itália, 1944, controlada pelo regime nazista. Quatro libertários fascistas seqüestram 16 jovens e os mantém aprisionados numa mansão repleta de guardas e empregados. Dividido em três partes baseadas nas histórias de Marquês de Sade (“Círculo de Manias, Círculo de Merda e Círculo de Sangue”). Os jovens são levados ao extremo da humilhação, usados como fonte de prazer, masoquismo e morte. É um dos filmes mais chocantes da história, até hoje provoca desagrado de muitos que assistem, por seu alto teor de crueldade e violência gratuita.

Apesar de ser absurdamente de mau gosto, é um bom filme, consegue transmitir a mensagem principal, mesmo ela sendo ruim. O diretor foi assassinado meses após terminar o filme, crime o qual supostamente por motivação política. Pasolini era comunista e homossexual.

2. Thriller – A Cruel Picture (1974)

Diretor: Bo Arn Vibenius

País: Suécia

Madeleine (Christina Lindberg) mora com os pais numa fazenda. Ficou incapaz de falar após um trauma de ter sido molestada na infância, o que a faz passar por sessões de terapia. Num belo dia, após perder o ônibus, aceita carona de um rapaz, aparentemente um bom moço. Após aceitar o convite do rapaz para jantar, é levada para casa dele e drogada, sendo obrigada a se prostituir para sustentar seu vício em heroína. Depois de um desentendimento com o primeiro cliente, tem seu olho arrancado e passa a ser chama de “One Eye”. Com o dinheiro que ela ganha em seus programas, inicia uma série de treinamentos para arquitetar sua vingança; fazendo aulas de tiro, caratê e manobras com automóvel. Película que se tornou cult na cena trash, como um dos raros filmes a mostrar cenas de sexo explícito (não se sabe se foram feitas pela própria atriz).

É bem interessante ver a transformação daquela garota frágil se transformar numa mulher cheia de ódio em busca de vingança. Boas cenas de ação, tiroteios em câmera lenta e um final digno, é o doce sabor da vingança na sua mais cruel forma.

1. Begotten (1990)

Diretor: E. Elias Merhige

País: Estados Unidos

Deus está sozinho e abandonado, e se suicida estripando-se com uma navalha. Eis que de sua morte emerge a Mãe-Natureza, masturba o moribundo e com o sêmen do mesmo fertiliza-se, originando do seu ventre a Humanidade, um ser doente e de extrema fraqueza, que parece mais um mendigo com epilepsia e durante toda sua existência é maltratado por uns monstros que vagam pela terra. É com certeza o filme mais estranho e indescritível que alguém pode ver na vida, não há como se encaixar em algum gênero. A película é toda em preto e branco, sem tons de cinza, o que torna algumas cenas indecifráveis, não há diálogos, apenas barulhos e sons sombrios.

Eu particularmente achei chato e sem noção, mas pra quem gosta de surrealismo gótico e mórbido é uma boa pedida. Segundo o diretor, ele teve a idéia do filme após um acidente de carro, com certeza ele deve ter batido a cabeça.

 

 

 

O mundo de Manhattan.

Quando conheci a obra de Woody Allen, primeiramente foi através de Manhattan – que considero o seu melhor filme. Ao analisar seu filme, me deparei com uma obra magnifica. Manhattan é um daqueles filmes que merecem ser reconhecidos, faz uma homenagem a cidade, e aos costumes nova iorquinos. A fotografia preta e branca é um elemento fundamental para tornar esse filme indispensável na coleção de um amante da sétima arte. A simplicidade com que Woody Allen conduz ‘Manhattan’ é um dos grandes atrativos do filme, mas não é o único.
O filme nos mostra que viver é passar um dia de cada vez, com a certeza que cada um é diferente do outro. O filme é atemporal, é belo e simples. É um retrato da imagem de Allen, que através de seus diversos filmes,  deixa em primeiro plano transpor a simplicidade que conduz uma camera, uma das caracteristicas de sua obra. Qualquer palavra que eu usasse para descrever seus filmes, soaria um tanto quantoperfunctório. Woody Allen é simplesmente Woody Allen, você assiste um filme e se apaixona pela obra toda. Até os filmes ‘ruins’, você acaba se apaixonando, porque tenta em cada pelicula achar um sentido naquelas imagens em movimento. Para a nossa alegria, ele continua fazendo filme todos os anos e, assim espero que continue. Porque na  minha vida sua obra será eterna.

Os 20 Melhores Filmes da Década (Parte 1)

Na verdaade, esse post está um pouco atrasado, porque a década acabou em 2009, rs. Mas isso não tem problema. O intuito era fazer um top 10, mas foi impossível. Então fiz um top 20 e no final citarei apenas alguns nomes que mereciam estar na lista também. Acho que alguns filmes são os melhores por unanimidade, mas talvez outros não sejam. É muito subjetivo… Talvez, daqui a um ano, terei outros nomes bem diferentes na cabeça, até porque faltam muitos filmes da década pra eu ver. Mas o que importa é que fiquei satisfeita com a lista. Portanto:

20. Amores Brutos (Amores Perros, 2000, Alejandro Gonzáles Iñárritu)

Não gosto muito do nome que deram ao filme, o certo seria Amores Cachorros, que mostra uma ambiguidade existente na história, mas isso não faz de Amores Brutos um filme menos interessante. Um acidente automobilístico entrelaça três histórias diferentes, que se passam na cidade do México. A partir daí, o roteiro é conduzido de maneira ágil por cada história, cada drama sofrido pelos personagens. O filme é bastante “sujo”, com cenas que causam impacto e mexe com quem está assistindo. Mostra que a vida pode ser totalmente modificada por causa de um simples momento. O desfecho do filme é ótimo e a frase final fica na cabeça: porque também somos o que perdemos.

19.  Amnésia (Memento, 2000, Christopher Nolan)

Amnésia é no mínimo inovador. O filme começa com o final e termina com o início, a história é toda contada de trás pra frente. Guy Pearce está incrível no papel de Leonard, um homem que sofre de perda de memória recente. Ele não se lembra de fatos que aconteceram há 15 minutos. Consegue viver mantendo hábitos, fazendo anotações pra si mesmo, tatuando os fatos mais importantes e incostestáveis no próprio corpo, tirando fotos dos rostos das pessoas para conseguir identificá-las. A última coisa que lembra é de sua mulher sendo assassinada e de que precisa vingar sua morte. O roteiro pode parecer um pouco banal, mas  não diminui em nada o brilhantismo do filme. É um filme que mexe bastante com o psicológico e precisa ser assistido com bastante concentração. É muito interessante ver como todos se aproveitam da situação do protagonista, inclusive ele mesmo… Existe uma versão “ordenada”, para aqueles que não conseguem entender o filme de “trás pra frente”.

18.  Os Infiltrados (The Departed, 2006, Martin Scorsese)

Acho que já perdi a conta de quantas vezes vi Os infiltrados. Não sei se é porque filmes de máfia me fascinam ou porque o filme tem Jack Nicholson como o mafioso…Frank Costello (Nicholson) é um mafioso que prepara Colin Sullivan (Matt Damon) desde pequeno para infiltrá-lo na polícia e torná-lo seu informante. Enquanto Billy Costigan (Leonardo Dicaprio) é um policial que tenta se infiltrar na máfia de Costello, para tornar-se informante da polícia. Depois de já infiltrados, a máfia e a polícia começam a desconfiar que entre eles há um espião e pra piorar (ou melhorar) a situação, os dois são apaixonados pela mesma mulher. O desenrolar da história é conduzido com maestria por Scorsese e o final faz você odiar ou gostar ainda mais do filme. Vale lembrar que essa parceria entre Scorsese e Dicaprio tem sido muito feliz, gerando ótimos filmes como O aviador, Ilha do medo e Gangues de Nova York. Outra coisa fundamental é a trilha sonora, que deixa as cenas de suspense ou drama melhores ainda.

17.  Snatch – Porcos e Diamantes (Snatch, 2000, Guy Ritchie)

Ah, o que falar de Snatch? um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Um monte de histórias que se ligam de um jeito muito interessante, com um humor finíssimo, um dos melhores roteiros originais que já vi e a trilha sonora é demais. Brad Pitt em uma de suas melhores atuações, sendo um lutador tal qual como foi em Clube da Luta, mas também um cigano. Benicio Del Toro também faz sua participação no filme, junto com Jason Statham (nem gosto muito dele, mas aqui ele está ótimo) e Jason Flemyng. Enfim, só posso ser grata ao Guy Ritchie por esse filme.

16. Adeus, Lênin! (Goodbye, Lênin!, 2003, Wolfgang Becker)

Adeus, Lênin é um filme divertidíssimo, mas possui também seus momentos dramáticos. Christiane (Katrin Sass) é uma patriota que vive na Alemanha oriental, juntamente com seus dois filhos. Nessa época, a Alemanha vivia um período de transição, onde o socialismo começava a ceder lugar para o capitalismo. Após ver seu filho Alex (o excelente Daniel Brühl) apanhando de policiais, Christiane passa mal e entra em coma profundo. Quando acorda, oito meses depois, o
país está totalmente diferente. Houve a queda do muro de Berlim, as comidas mudaram, as roupas também, a propaganda (leia-se coca-cola, principalmente) invadiu todos os cantos da cidade. Com medo de provocar um novo ataque e comprometer a saúde da mãe, Alex passa a recriar e trazer a Alemanha socialista para dentro de casa. Esta não sai de seu quarto, porque por recomendações médicas (e de Alex) precisa ficar em repouso. Mas por quanto tempo ele conseguiria sustentar a mentira? Existem cenas interessantíssimas no filme, como quando a estátua de Lênin é carregada por um helicóptero e sobrevoa a cidade capitalista ou quando um outdoor gigante da coca-cola é colocado no prédio em frente à casa de Christiane. Outro destaque do filme é a trilha sonora, composta por Yann Tiersen.

15. Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007, Sean Penn)

Um dos filmes que mais mexeram comigo, no sentido de fazer pensar, refletir e pensar mais um pouco. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um cara que acabou de se formar em Direito. Tem namorada, família de classe alta, profissão e resolve abandonar isso tudo. Doa suas economias para uma instituição de caridade, se “livra” de tudo que a sociedade impõe e parte pelo mundo afora, sozinho, sem rumo. Buscando somente liberdade, aventura, novas experiências e claro, conhecer a si mesmo. Conhece pessoas que modificam sua vida e modifica também a vida delas. Mas seu maior sonho era conhecer o Alaska, e ele faz essa viagem.. Os últimos 20 minutos do filme são bastante perturbadores, e o desfecho deixa a gente chateado. E o que mais choca é saber que é uma história real, que aconteceu mesmo. Enfim, “Na natureza selvagem” é um filme altamente recomendável.

14. Dogville (Dogville, 2003, Lars von Trier)

Lars von Trier em mais um de seus filmes ousados. Conseguiu inovar colocando o teatro “dentro” do cinema. Grace, vivida por Nicole Kidman, é uma fugitiva de gângsters, que acaba chegando em Dogville, uma cidadezinha isolada dos Estados Unidos. Dogville, por sua vez, é toda representada em um único cenário. As casas, ruas, plantas e animais são pintados no chão, fazendo com que o espectador imagine como é cada coisa. O filme é dividido em partes e começa
apresentando cada personagem. Dogville é praticamente um mundo fechado, alheio à tudo, para as pessoas que moram lá. Portanto, Grace tem que trabalhar e provar para todos que pode ser a nova moradora da vila. Por ser humilde, bondosa e por depender da aprovação das pessoas, todos passam a se aproveitar dela, de várias formas. Uma bela metáfora para mostrar o oportunismo de todo ser humano. O filme é longo e chega a ser arrastado em alguns momentos, mas merece paciência por ter um final que, com certeza, deixa qualquer espectador satisfeito.

13. Perfume: A História de um Assassino ( Perfume: The Story of a Murderer, 2006, Tom Tykwer)

Fiquei admirada depois de assistir, mas não é um filme muito bem aceito pela maioria. O filme já começa com cenas bastante fortes, quando Jean-Baptiste (Ben Whishaw) nasce em um mercado de peixe, no meio da sujeira, do fedor. Mas isso, na minha opinião, só deixa o filme ainda melhor, com um visual mais belo, mais ousado. Jean-Baptiste tinha um dom, podia sentir e diferenciar o cheiro de cada coisa, a metros de distância. Depois de sentir o cheiro de uma
mulher (que acaba matando sem querer), ele fica obcecado em preservar aromas humanos. Se torna aprendiz em uma perfumaria, aonde aprende a nomear cada coisa, a entender como se cria o perfume, etc. Com isso, passa a matar jovens mulheres cujo perfume lhe chama a atenção. Depois de muitos assassinatos, descobrem que ele é o principal suspeito, mas ainda falta uma mulher pro “perfume perfeito” poder ser criado. Ele consegue, mas é preso, julgado e condenado à morte. E no dia da sua execução..acontece uma das cenas mais surreais que eu já pude ver.

12. Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003, Sofia Coppola)

Encontros e desencontros conta a história do ator Bob Harris (Bill Murray) e da jovem fotógrava Charlotte (Scarlett Johansson). É um retrato perfeito do vazio, de uma sensaçao que só quem já passou consegue entender. Ambos estão em Tóquio e se hospedam no mesmo hotel. Ela tem metade da idade dele, estilo de vida diferente, mas compartilha da mesma solidão, sente o mesmo deslocamento. Isso faz com que logo se tornem grandes amigos. Passam a sair juntos pelas ruas de Tóquio. Fato importante é que os dois são casados, então fica aquela expectativa de que eles vão se envolver fisicamente, mas o que a gente vê é a forma mais simples e pura de amizade e de amor. Duas almas que compartilham as mesmas angústias e se completam. Quando Bob tem que ir embora, eles não sabem como se despedir, o que fazer. E é aí, no final, que o filme “acontece”.

11. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish, 2003, Tim Burton)

Pra mim, é um dos melhores do Burton. O filme diverte, emociona e encanta o tempo inteiro. Ed Bloom (Albert Finney) é um grande contador de histórias. Suas aventuras encantam a todos, menos a uma pessoa: seu filho Will (Billy Crudup). Quando Ed fica doente, Will tenta se reaproximar do pai e começa a recordar as várias histórias que já tinha ouvido centenas de vezes. O jovem Ed Bloom é interpretado por ninguém menos que Ewan McGregor, e cada “fábula” do filme é mais encantadora que a outra. O final me despertou um monte de sensações incríveis, enfim.. Acredito que quem assiste não se arrepende.