Sentimentos opostos.

O que realmente importa no amor? O sentimento que é sem definição ou explicação, uma felicidade incomensurável sentida em todos os segmentos do corpo, em cada entranha da alma. Ou aquele desejo carnal, de pele com pele, de toques entre dois corpos, de uma atração mais forte que uma relação?
Esses são dois pontos chaves no filme A Última Noite (Last Night), o qual particularmente gostei muito, por não imaginar que a trama seria tão bem segmentada, é um filme curto, são noventa minutos muito bem divididos, uma obra simples e particular.
O filme é ambientado em Nova York, onde um casal Joanna e Michael vivem. Os personagens principais são vividos pela atriz inglesa Keira Knightley e pelo australiano Sam Worthington. Os dois são casados e não imaginam que nas próximas horas de seu dia, a vida deles passará por várias mudanças. Michael tem que fazer uma viagem de trabalho, onde ficará em um hotel com seus colegas de trabalho, lá passará uma noite na companhia de sua colega de empresa vivida por Eva Mendes, e Joanna em uma manhã normal de sua rotina quando sai para comprar café, acaba reencontrando um amor do passado que não mora mais nos EUA. O dia que seguirá retratará como os dois passarão por essas pessoas, de um lado Michael sente-se atraído por sua colega, Laura. Do outro lado temos Joanna que não acredita que realmente esqueceu completamente seu amor do passado. Será que o amor dos dois será mais forte que essas tentações?
O filme foi lançado sem nenhuma pretensão, mas ele choca quem o assiste por ser tão natural, delicado e simples. É um tema que aborda o que o ser humano realmente quer, fazendo um contraponto entre o homem e a mulher, focando na razão e no desejo carnal. Muitas vezes há um desejo por outra pessoa, mas isso não quer dizer que o amor foi esquecido no casamento, eles vão passar por situações que vão mostrar aquilo que realmente estão vivendo.
É um filme que toca o telespectador, um chamado para pensar no tema, se realmente somos fortes o bastante para deixar que nada supere o amor que sentirmos por outra pessoa. Em vários momentos você torce para que alguma coisa aconteça, para que a história mude, para que os laços não se desprendam, mas o surpreendente é não saber o que a razão e a emoção vão querer.
Tenho certeza que depois de você assistir vai repensar o que realmente importa, é que muitas vezes atitudes que tomamos não mudarão o que realmente sentimos. O final pode não ser aquilo que você espera, acredito que a maioria das pessoas não pensa da maneira que o final se conduz, mas vale a pena refletir. Somos realmente feitos para que o amor prevaleça acima de tudo? Ou somos corpos em busca de prazer?

Uma segunda visão.

Ano passado em um dia ao entardecer de domingo, resolvi  procurar alguns filmes independentes para assistir, ou aqueles que não recebem o devido valor pelos ‘críticos’. Dentro de muitos filmes que acabei assistindo, um particularmente me chamou a atenção pela sua dinâmica, esse filme foi Mr Nobody. Assisti logo após o lançamento em outubro do ano passado, e  exatamente um ano depois eu resolvi assistir novamente.

A impressão que fica é que na primeira vez eu gostei, na segunda vez eu fiquei pensativa e cheguei a conclusão que ele é ainda melhor do que eu lembrava que fosse. O filme começa com o personagem principal Nemo (o Sr Ninguém) estando com 117 anos, prestes a completar 118 anos, ele é mortal mais velho da Terra, em um mundo completamente mudado, em que a tecnologia é o principal objeto do futuro.  Depois o filme volta para seu nascimento, pela escolha de seus pais, pela descoberta da vida. O filme começa no final, mas não revela o que acontecerá, pelo contrário. O filme retrata simplesmente escolhas da vida, escolhas que fazemos e não pensamos nas consequências que elas vão ter. Ele mostra três mulheres que Nemo conheceu em sua vida, três histórias e muitos acontecimentos, tristeza, alegria, descobertas, dúvidas, momentos. Em uma dessas escolhas ele encontra a infelicidade para sempre, na outra ele encontra o amor da sua vida, na outra ele simplesmente não se encontra.

É um filme belo, que não tem o intuito de agradar a todos em seu lançamento, foi feito para apreciar, para dividir,. Além de uma fotografia muito colorida e alegre, os cortes são muito bem feitos e ainda conta com uma trilha sonora impecável, como por exemplo a música Mr Sandman do The Chordettes, que combina muito bem com o momento em que é tocada. Além de tudo isso, tem a ótima atuação de Jared Leto, e pelo ator jovem que é vivido por ele na adolescência,  Jared  pode não ser considerado um ator excelente por muitos, mas sempre no papel que é proposto, ele cumpre sua função muito bem (não podemos nos esquecer de seu papel em Requiem for a dream), chega um momento que você sofre junto a ele, ao vê-lo sofrer com uma de suas três mulheres.
Ás vezes não pensamos nas escolhas que fazemos, mas isso é tão irreal quando apenas vivemos o momento. Nem sempre nossas realizações no presente vão ser uma felicidade no futuro, por isso esse filme é tão bonito no que se propõe a ser,  é apenas mais uma maneira de vermos a vida e pensarmos no seu real significado. Simplesmente pensarmos no futuro, pensarmos no passado, pensarmos no que realmente é o presente, se qual período é o que mais importa.  Se é vivermos recordando as lembranças boas do passado, ser feliz fazendo aquilo que é cabível ao presente, ou sempre pensar que tudo vai ficar maravilhoso no futuro, criando muitas vezes uma ilusão do que queríamos que nossa vida fosse.
Mas se você não quiser pensar em nada, não pense, apenas assista ao filme e não tenha nenhuma expectativa, deixe com que ele mesmo se faça sentir.

Passion sentimentale.

Quando o Cinema surgiu na França, em uma criação dos irmãos Auguste e Louis Lumière, certamente eles não imaginavam a proporção que isso teria no futuro.
Cinema é muito mais que culto a arte, é uma variação da realidade, uma emoção que nos transporta por um mundo paralelo ligado apenas a nossa imaginação em criar e, imaginar coisas ao acontecimentos que fogem do nosso controle cotidiano. Suas histórias, suas mensagens, suas fábulas modernas. Não importa o assunto, nem o diretor, não importa a época, o tempo, o clima, o cinema é atemporal, um filme permanece na nossa vida para sempre, uma obra filmada não acaba, ela atravessa gerações, mostra seu valor a cada década. E não há tecnologia que fará acabar com essa magia. O Cinema é centenário, passou do mudo para o falado, criou-se o musical, o drama, a ação, a aventura, o amor, a comédia, as diversas formas de divertir e tornar mais uma forma de amar. Cinema faz parte da vida de todas as pessoas, umas veneram, outras apreciam, cinema é partícula fundamental da vida – ouso dizer, partícula necessária na minha vida, sem a qual não viveria. Depois que você começa a apreciar a sétima arte, não consegue parar, começa a analisar diretores, ter uma preferência por atores, tira um preconceito de qualquer obra, começa a enxergar cada detalhe de uma pelicula, começa a dar valor para cada pequeno fundamento de uma obra. Cinema é mais que diversão, é um ato de amor. Seja em qualquer uma de suas peculiaridades, é uma coisa infinita.
Agradeço por meus olhos captarem a mágica que transpassa através daquela tela, seja ela minúscula, ou em uma sala de cinema, a emoção em ver um filme. Muitos filmes marcaram minha vida, muitos outros vão vir, e cada um dos que considero melhores passaram alguma coisa de muito valor a minha vida, passaram coisas que o tempo não vai apagar. Acho maravilhoso a forma como são feitos cada filme e, como alguns podem nos marcar tanto, nos fazer rir e chorar em questões de segundos, como nos prendem, nos fixam a eles. Cinema é uma paixão, um amor, um carinho, uma arte que prevalecerá sempre em minha vida e, só quem aprecia essa arte fielmente sabe que ela jamais deixará de existir. Viva, ame, respire o cinema!

O mundo de Manhattan.

Quando conheci a obra de Woody Allen, primeiramente foi através de Manhattan – que considero o seu melhor filme. Ao analisar seu filme, me deparei com uma obra magnifica. Manhattan é um daqueles filmes que merecem ser reconhecidos, faz uma homenagem a cidade, e aos costumes nova iorquinos. A fotografia preta e branca é um elemento fundamental para tornar esse filme indispensável na coleção de um amante da sétima arte. A simplicidade com que Woody Allen conduz ‘Manhattan’ é um dos grandes atrativos do filme, mas não é o único.
O filme nos mostra que viver é passar um dia de cada vez, com a certeza que cada um é diferente do outro. O filme é atemporal, é belo e simples. É um retrato da imagem de Allen, que através de seus diversos filmes,  deixa em primeiro plano transpor a simplicidade que conduz uma camera, uma das caracteristicas de sua obra. Qualquer palavra que eu usasse para descrever seus filmes, soaria um tanto quantoperfunctório. Woody Allen é simplesmente Woody Allen, você assiste um filme e se apaixona pela obra toda. Até os filmes ‘ruins’, você acaba se apaixonando, porque tenta em cada pelicula achar um sentido naquelas imagens em movimento. Para a nossa alegria, ele continua fazendo filme todos os anos e, assim espero que continue. Porque na  minha vida sua obra será eterna.