Stephen King: Do papel à película

  Stephen King

Você pode não conhecê-lo, mas com certeza já viu ou ouviu falar de alguma adaptação para o cinema de uma de suas obras. Stephen Edwin King é um autor norte-americano, nascido em 21 de setembro de 1947, em Portland, no Maine. Desde pequeno King gostava de ler quadrinhos de terror e suspense, o que influenciou em seu estilo para escrever. King hoje é considerado o mestre do terror moderno e suas obras já foram lançadas em mais de 40 países, sendo o nono autor mais traduzido no mundo.

Seus livros ficaram famosos por trazerem um terror comum, um medo natural que as pessoas têm pelas coisas ou animais, tratar de temas do cotidiano e dramas pessoais. Seu modo detalhista e humor na escrita transforma seus textos em histórias prazerosas de se ler. O escritor consegue fazer situações que parecem banais se transformarem em narrativas de horror angustiantes.

Com seu talento reconhecido, King teve vários de seus livros e contos adaptados para o cinema, foram 42 até hoje. Algumas dessas adaptações foram dirigidas ou roteirizadas por ele.

Então, decidi reunir suas adaptações para o cinema mais ilustres.

Carrie, A Estranha (1976): Com a direção de Brian de Palma, o filme foi realizado 2 anos após a publicação de King de seu primeiro livro. O filme narra a história de Carry White, uma jovem extremamente recatada que vive reclusa com sua mãe, uma fanática religiosa extremamente controladora e incisiva. Por ser uma garota tímida e não muito bonita, foi sempre menosprezada pelos seus colegas de escola. Carrie, então, descobre que possui poderes telecinéticos (capacidade de mover coisas com o poder da mente), ocasionando uma reviravolta em sua vida e das pessoas que a subjugavam. O filme teve um remake mediano em 2002 e outro recentemente em 2013.

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O Iluminado (1980): É talvez a adaptação para o cinema mais famosa e lembrada de King. Graças a direção de Stanley Kubrick e a atuação majestosa de Jack Nicholson, o filme se tornou um marco do terror moderno, sendo incorporado na cultura pop cinematográfica. Baseado no livro homônimo, o filme traz questões como solidão, isolamento, loucura e influência do ambiente. Jack Torrance (Nicholson), um escritor e um alcoólatra em recuperação, aceita um emprego como zelador fora de época de um hotel isolado chamado Hotel Overlook. Seu filho possui habilidades psíquicas e é capaz de ver coisas do passado e do futuro, como os fantasmas que habitam o hotel. Logo depois de se instalarem, a família fica presa no hotel por uma tempestade de neve e Jack torna-se gradualmente influenciado por uma presença sobrenatural; ele desaba na loucura e tenta assassinar sua esposa e filho. “Here’s Johnny!”

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Christine, O Carro Assassino (1983): Um clássico do saudoso ‘Cinema em Casa’ do SBT, o filme narra a história de Arnold “Arnie” Cunningham, jovem nerd sem muitas ambições na vida. Tudo muda quando está dirigindo de volta pra casa e avista Christine, um antigo e destruído carro estacionado no gramado de uma casa. Arnie compra o carro e o reforma, sua vida com isso se transforma, passa a ter uma paixão e ciúme doentio pelo carro (sentimentos que são recíprocos). Christine passa a afastar qualquer pessoa que de alguma forma interaja demais com Arnie, provocando acidentes e mortes. O amor mata!

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A Colheita Maldita (1984): Adaptação de um conto de King lançado em 1978, o filme foi polêmico para época de lançamento, por mostrar crianças assassinas influenciadas por uma “seita religiosa”. Todos os adultos da cidade rural de Gatlin estão mortos, só crianças residem no local, o motivo? Adultos são impuros e não devem habitar a cidade, e aqueles que ousarem adentrar na cidade, devem ser exterminados! Uma crítica severa aos dogmas e crenças que influenciam de forma negativa os indivíduos.

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It – Uma Obra Prima do Medo (1990): Você tem medo de palhaço? Se a resposta é sim, não é aconselhável assistir este filme. Se a resposta é não, irá rever seus conceitos. Há 30 anos, uma cidade do interior dos Estados Unidos foi aterrorizada por um assassino de crianças, conhecido como A Coisa. Agora, a criatura sanguinária reaparece sob a forma de um palhaço. Quando o bibliotecário Michael Hanlon sente sua presença, ele convoca outros seis amigos para combater o monstro que destruiu suas infâncias. É muita palhaçada, no bom sentido da palavra.

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Louca Obsessão (1990): Paul Sheldon é um escritor de muito sucesso, e após finalizar sua mais nova obra, segue em uma viagem para entregar seu manuscrito para ser publicado. Porém, durante seu trajeto é atingido por uma nevasca e acaba sofrendo um acidente. Paul é socorrido pela caridosa e amável Annie Wilkes, é levado para sua casa onde é tratado e descobre que a mulher é sua fã número 1. Após ler escondido o manuscrito do seu ídolo, Annie descobre que seu personagem favorito morre no fim da história. Começa aí um cárcere e tortura gerado pela revolta de Annie, que obrigada o escritor a mudar a história. Moral da história: nunca contrarie um fã!

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O Apanhador de Sonhos (2003): Estrelado por Morgan Freeman, o filme narra a história de quatro garotos que após salvarem um jovem com síndrome de Down ganham poderes de telepatia. Tempos depois em um acampamento, ficam presos em uma nevasca. Lá descobrem que uma força alienígena está prestes a manipular as mentes dos habitantes da cidade onde moram.

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A Janela Secreta (2004): Protagonizado por Johnny Depp, incorporando Mort, um escritor com bloqueio criativo – causado pelo adultério de sua esposa – que se isola em uma cabana no meio da floresta. Vive um tremendo ócio e dorme a maioria do tempo. Num belo dia é acordado por um homem afirmando que Mort roubou sua história, e partir daí o homem começa a vigiá-lo e ameaçá-lo de forma cada vez mais constante. Um suspense daqueles que te faz sentir pena do personagem principal.

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1408 (2007): Com John Cusack e Samuel L. Jackson, o filme gira em torno de um promissor romancista disposto a escrever sobre fenômenos paranormais, porém, é extremamente cético e nunca encontrou evidências de acontecimentos do mundo dos mortos. Ele resolve se hospedar em um quarto de hotel em Nova York que possui a fama de ser assombrado por espíritos, fato reforçado após o gerente do hotel lhe informar que já ocorreram 56 mortes no local. Coisas estranham começam acontecer e o escritor passa a questionar e reavaliar seu ceticismo.

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O Nevoeiro (2007):  Depois de uma violenta tempestade devastar a cidade, David Drayton e seu filho Billy correm para o supermercado, com medo que os suprimentos se esgotem. Porém, um estranho nevoeiro toma conta da cidade e faz  com que eles e outras pessoas que estavam no local fiquem presos no supermercado. Logo descobrem que há algo de sobrenatural em meio a névoa e caso deixem o local, podem ser atacados. Muita crítica a convivência entre pessoas diferentes e criaturas bizarras.

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Nem só de histórias que assustam vive Stephen King, ele também escreve narrativas dramáticas e emocionantes:

Conta Comigo (1986): Um clássico dos tempos áureos da ‘Sessão da Tarde’ da Globo. O filme narra a história  do escritor Gordie Lachance relembrando um fato da sua infância. Quando tinha 12 anos e vivia em Oregon (EUA), ele e mais três amigos saíram em uma aventura na mata em busca de um corpo desaparecido. O que eles não imaginavam é que essa busca se tornaria uma grande aventura, cheia de descobertas e fortalecimento de suas amizades. Quem nunca quis na juventude se aventurar por aí com os amigos? Uma história emocionante sobre companheirismo.

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Um Sonho de Liberdade (1994): O filme foi indicado a 7 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Morgan Freeman. O drama conta a história de um banqueiro que é sentenciado a prisão perpétua, por assassinar sua mulher e seu amante, apesar de sempre alegar inocência. Na prisão conhece “Red” (Morgan Freeman) que também cumpre prisão perpétua, um influente detento que controla o mercado negro dentro do presídio.

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À Espera de um Milagre (1999): O filme foi indicado a 4 Oscars na época, incluindo melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante para Michael Clarke Duncan (que morreu em 2012). A história se passa no corredor da morte de uma prisão do Sul dos EUA, em 1935, narrando o comovente relacionamento entre o guarda da prisão Paul Edgecomb (interpretado por Tom Hanks) e o prisioneiro John Coffey (Duncan), que tem o dom de curar as pessoas. Ao conhecer melhor John, Paul começa a duvidar de crimes atribuídos a ele: o assassinato de duas jovens garotas. Um história emocionante, indispensável para quem aprecia um bom filme.

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Lembranças De Um Verão (2001): Protagonizado por Anthony Hopkins, o filme conta a história de Robert Garfield, que após a morte de um amigo começa a relembrar um verão da sua infância. Quando tinha 11 anos, ele teve sua vida marcada pela amizade de Carol, Sully e Ted Brautigan – o novo vizinho. Muita nostalgia pra quem gosta de lembrar dos bons tempos de juventude.

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Os 15 filmes mais bizarros do mundo cinematográfico

Não só de romances emocionantes, grandes produções e histórias fantásticas vive o cinema, isso é sabido. Assim como no mundo real, existe também o lado obscuro da coisa, onde a mente mais perversa e louca perambula. Sabemos que o ser humano pode chegar ao estado de praticar algumas anormalidades: necrofilia, incesto, scat, canibalismo, blasfêmia, masoquismo e outras insanidades possíveis. Mas e quando isso é mostrado em filmes, sem censura ou qualquer tipo de preocupação com quem irá assisti-lo? É o que decidi reunir aqui, algumas das obras mais perturbadoras feitas para o cinema. Lembrando que é uma lista feita com os filmes que já assisti e não está em ordem de melhor ou pior, sei que existem dezenas de outros filmes iguais ou mais bizarros ainda, que em futuro próximo irei assistir e postarei aqui. Então vamos lá, segure-se firme e boa sorte!

15. Nekromantik (1987)

Diretor: Jörg Buttgereit

País: Alemanha

“O quê vive que não vive da morte dos outros?” Já começamos lendo isso após um aviso de que algumas cenas do filme podem ser grotescas e ofensivas, e não devem ser mostradas a menores (nem para alguns maiores, na minha opinião). O filme é basicamente sobre necrofilia, onde mostra a vida do nosso protagonista, que trabalha na “Agência de Limpeza do Joe”, coletando mortos e o que sobrou deles após um acidente, assassinato, etc. Como se não bastasse, o cara rouba e coleciona pedaços dos cadáveres em sua casa, onde mora com sua mulher, que aprecia a “arte”.

 

Não se contentando com pouco, ele finalmente tem a oportunidade de roubar um dos cadáveres e levá-lo pra casa (para alegria da mulher), a partir daí, vemos o fetiche mais bizarro que um ser humano pode ter: transar com um defunto em avançado estado de decomposição. A cena é doentia, em câmera lenta, com som de piano ao fundo; seria extremamente romântica, se não houvesse um defunto entre o casal, claro.

Banho com sangue de gato morto, cenas reais de um coelho sendo escalpelado vivo, orgasmo durante o próprio suicídio (numa cena tosca e cômica), tornam o filme como um dos mais bizarros já produzidos. Dirigido por Jörg Buttgereit  que também atuou e ainda ajudou a escrever, editar e a fazer os efeitos especiais, não é um filme muito bonito de se ver, mas vale pela experiência de conhecer um pouco desse estranho mundo dos necrófilos.

 

 

14. Subconscious Cruelty (1999)

Diretor: Karim Hussaim

País: Canadá

O filme é composto por duas histórias. A primeira mostra um rapaz que é apaixonado pela irmã que é prostituta, e sofre por vê-la com outros e não com ele. Após sua gravidez, ele decide cuidar dela e aprender como se faz um parto, com isso seus pensamentos insanos sobre a criação vão ficando cada vez mais intensos, decidido a fazer a pior coisa possível a um ser humano, sendo o próprio Deus. Durante o nascimento do bebê ele então se livra daquilo tudo que o incomodava: mata o feto com um grande anzol e sufoca a mãe aterrorizada, com o sangue do próprio bebê. Cenas surreais e estranhas completam essa história de amor e ódio.

Antes da segunda história temos uma “divisão” das tramas, onde mostra pessoas nuas, literalmente transando com a terra e a natureza que sangra.

A segunda história é sobre um homem que tem uma vida extremamente chata e monótona, em que a única diversão é chegar em casa após o trabalho e se masturbar  vendo filmes pornôs. Durante uma noite de sono ele se vê num pesadelo bizarro: o crucifixo que ele usa no pescoço é derretido e injetado dentro de sua própria cabeça, segundos depois vemos “Jesus” machucado e chorando na porta de uma igreja. Levado por três mulheres nuas para uma espécie de templo, malignamente elas comem sua carne, bebem seu sangue e ainda depois de todo sofrimento um pedaço de madeira é inserido em seu ânus.

O filme ataca profundamente as questões da fé e da existência humana, criticando os modos como a crença em Deus e nas religiões podem afetar de maneira negativa e insatisfatória o ser humano.

13. Aftermath (1994)

Diretor: Nacho Cerdà

País: Espanha

A película é um curta-metragem que se passa em um necrotério, onde é mostrada a história de um médico legista que após a chegada de um cadáver feminino se vê tendo desejos pelo mesmo. Aproveitando a deixa de estar sozinho com o cadáver, realiza suas vontades: tira fotos, se masturba e por fim penetra na pobre defunta. Tudo isso ao som de música clássica e não há nenhum diálogo, o que deixa ainda mais intrigante as cenas, onde os olhares é que mostram tudo.

Maquilagem espetacular e um final bacana, melhor que muito longa-metragem cheio de diálogos mas que não dizem nada.

12. Cannibal Holocaust – Holocausto Canibal (1980)

Diretor: Ruggero Deodato

País: Itália

Considerado um dos filmes mais controversos de todos os tempos e também é tratado como Cult no mundo do cinema de horror.

O filme narra a história de um professor que após o sumiço de quatro jovens que foram pesquisar sobre uma tribo canibal na Amazônia, é escalado pela universidade de NY e por um canal de TV parar ir até o lugar e descobrir o paradeiro dos jovens. O que ele encontra são apenas vestígios de que os jovens foram mortos e filmes da câmera usada por eles, onde mostram as cenas do que aconteceu. Canibalismo, empalamento, estupro, sexo, animais mortos de verdade (o que era normal na época). A maquiagem e os efeitos especiais são tão perfeitos que correram boatos após o lançamento do filme de que os atores foram mortos de verdade. Desmentido pelo diretor, que levou os atores a um programa de TV para provar que estavam todos vivos.

Quando o vi pela primeira vez fiquei impressionado tamanha a perfeição e realidade das cenas. No fim faz você refletir sobre quem são os verdadeiros selvagens.

 

 

 

11. Eraserhead (1977)

Diretor: David Lynch

País: Estados Unidos

Henry (John Nance), um pacato operário que trabalha numa gráfica com uma rotina em um apartamento não muito animadora, tem sua vida mudada após ir visitar a família de sua namorada (família bem estranha por sinal) e descobre que depois de um tempo sem a ter visto ela esteve grávida e nasceu um bebê prematuro. A partir daí começam as seqüências mais bizarras do filme, por quê? Henry e sua namorada Mary vão morar juntos no apartamento, obrigados a casarem pela mãe da moça. Imagine um feto que parece mais um uma minhoca ET que não para de gemer um minuto. Mary cansada de tudo resolve o deixar com o “bebê”. Somos levados aos sonhos de Henry, onde há uma mulher “fofão” e após sua cabeça ser cortada é usada para fazer lápis.

Um filme bastante surrealista e maluco, as cenas com o tal feto são bem nojentas, principalmente quando o mesmo fica doente. Primeiro longa-metragem de David Lynch, desde o começo mostrou que não é um diretor muito convencional.

10. Ex-Drummer (2007)

Diretor: Koen Mortier

País: Bélgica

Filme narra a história de três deficientes: um skinhead de língua presa, um surdo e um gay que não tem o movimento no braço direito (causado pelo trauma de ser flagrado pela mãe se masturbando), juntos eles querem montar uma banda de punk rock para tocar em um festival, mas necessitam de um baterista obrigatoriamente deficiente. É usada todo tipo de anormalidade cinematográfica pra torná-lo ainda mais louco: ação invertida, câmera lenta, enquadramentos fora do comum, planos sobrepostos, estética propositalmente suja e violência explícita.

Mostra toda a imundice fashion underground, temos a impressão de estar vendo um filme atrasado pra época, anormal é pouco.

9. Freaks – Monstros (1932)

Diretor: Tod Browning

País: Estados Unidos

Freaks foi muito mal compreendido na época, o que após seu lançamento foi proibido em vários países e banido de vez por 30 anos. Em 1962 foi redescoberto após uma retrospectiva em um Festival de Cannes. Tudo porque o que temos nessa película são aberrações humanas de verdade contratadas de Sideshows da época.

É contada história do anão Hans, umas das atrações do circo de horrores que se apaixona pela trapezista Cleópatra. Ao saber que o pequenino herdou uma fortuna, resolve armar um plano junto com seu amante Hércules: casar-se com o anão, matá-lo e apossar-se de sua fortuna. O plano acaba sendo descoberto pelas aberrações que resolvem se vingar. Há no máximo 5 pessoas no filme que não possuem deficiências, entre humanos deformados temos: Irmãs siamesas, anões, garota sem braço, rapaz sem pernas, microencefálicos, um homem sem nenhum dos membros e tudo mais que podem imaginar.

Uma película além de sua época, é impactante, extremamente crítico, surpreendente e bonito. Vemos com brilho nos olhos o quão são dóceis, carinhosos e felizes os seres, apesar de suas limitações, nos levando a refletir quem são as verdadeiras aberrações. Com certeza um filme indispensável para qualquer cinéfilo.

8. Funny Games – Violência Gratuita (1997)

Diretor: Michael Haneke

País: Áustria

Violência e covardia, palavras chave pra esse filme. Uma família é seqüestrada dentro da própria casa por dois sádicos rapazes onde passam férias, sofrimento físico e psicológico é causado o máximo possível. A trama é simples, sem um roteiro impressionante, reviravoltas na história, mas com um final nada feliz. Somos levados juntos com a violência mostrada, como se fizéssemos parte do que está acontecendo, principalmente numa cena em que um dos rapazes dá uma piscadela pra câmera, cheio da maldade, nos avisando que algo interessante vem por ai. Vale a pena ver por como as cenas são bem reais e cruéis.

Filme indispensável pra quem gosta de cinema alternativo, crueldade e humor ácido.

7. Guinea Pig – The Flower of Flesh and Blood (1985)

Diretor: Hideshi Hino

País: Japão

Guinea Pig é uma série japonesa de 7 filmes, criada para testar novas e diferentes técnicas de maquiagens boladas por estudantes de cinema. Tomou notoriedade no underground do terror extremo por causa de cópias raras e toscas, sempre com imagens ruins, sendo erradamente tratados como snuff movie (filmes onde há mortes de verdade dos atores). Sadismo, violência, transbordamento de crueldade, fazem dessa série uma das coisas mais sangrentas que alguém pode ver. Não é recomendada para pessoas impressionáveis e fracas do estômago.

Vou citar aqui particularmente a parte 2: Flower of Flesh and Blood. Um assassino seqüestra uma jovem no metrô, leva pra um lugar que parece ser sua casa, dopa a pobre moça e começa a mutilá-la vestido de samurai, recitando alguns “poemas” durante todo o processo. Depois vemos que ela é só mais uma, de várias outras vítimas, com seus pedaços guardados em vários lugares. As cenas são tão reais e convincentes, que reza a lenda que o ator Charlie Sheen após ver o filme, denunciou para um departamento americano de censura aos filmes, que logo contatou FBI que por sua vez contatou as autoridades japonesas as quais já investigavam o filme. Diretores foram presos, até mostrarem o making of das filmagens e explicar tudo. Esquisitices que você só encontra no Japão.

6. Irreversible – Irreversível (2002)

Diretor: Gaspar Noé

País: França

Após o estupro de sua mulher Alex (Monica Belucci), Marcus (Vicent Cassel) e seu amigo Pierre (Albert Dupontel), ex da moça, saem à procura de vingança, indo aos lugares mais podres da cidade. A ação do filme é invertida, ou seja, a história é mostrada de traz pra frente, exato! Começo do filme é na verdade o fim da história, nos mostrando como tudo chegou até ali. Não há cortes nas cenas, a câmera dá uma pirueta e nos leva para próxima cena, passeia com os personagens, cai, gira, deixa coisas de cabeça-para-baixo, foge de foco, coisas que desnorteiam. A cena do estupro e violência dura mais ou menos 10 minutos, sem cortes, como se a câmera tivesse sido deixada no chão, pra testemunhar o fato, é algo bem angustiante e forte.

É um dos melhores filmes que eu já vi, Gaspar Noé conseguiu fazer de uma história simples uma película bem complexa e intensa. Mente aberta é o mínimo que você tem que ter para assisti-lo.

5. Ichi, The Killer – Ichi, O Assassino (2001)

Diretor: Takashi Miike

País: Japão

Baseado no mangá de Hideo Yamamoto, é um dos filmes mais sanguinários, pervertidos, sem noção e violentos já produzidos. É narrada a história de dois personagens. Kakihara (masoquista ao extremo e afeminado), sub-chefe da gangue ‘do Anjo’; com o sumiço do chefe, descobre uma conspiração em toda a máfia e irá torturar várias pessoas pra descobrir quem está por traz de tudo. O outro personagem é o assassino, que dá nome ao filme ‘Ichi’, que desmembra e destroça suas vítimas com uma espécie de faca super potente nas botas e não poupa a vida de nenhum criminoso ou quem quer que ousa contrariá-lo.

Cortar a própria em língua em sinal de “desculpas”, jogar óleo fervente no cara pendurado por garras de ferro fincadas na pele, bochechas puxadas até sangrar, rosto usado como alvo de dardos, são algumas das cenas doentias desse filme, ainda com um pouco de humor. Mais uma das crias bastardas do Japão.

 

 

 

4. Pink Flamingos (1972)

Diretor: John Waters

País: Estados Unidos

Divine é uma drag queen que tem o estranho título de ‘pessoa mais asquerosa do mundo’ e se orgulha muito disso, vive com sua família em um trailer: seu filho Crackers, que adora transar com galinhas e com suas namoradas no galinheiro; sua mãe Mama Edie, uma velha estranha que vive em um berço e ama comer ovos crus; e Cotton, que adora ver Crackers se “satisfazendo” no galinheiro. Mas seu trono está ameaçado por um casal não menos bizarro que ela: eles seqüestram jovens que são estupradas no cativeiro por um empregado para engravidarem, após o nascimento dos bebês eles são vendidos para casais de lésbicas.

Filme é trash ao extremo, com cenas nauseantes; canibalismo, incesto, nudez, “dança do ânus” e mais algumas coisas escrotas, mas tudo com um humor negro indescritível; destaque para uma das cenas mais antológicas do cinema trash: Divine saboreando fezes caninas. É preparar o estomago e dar uma conferida.

3. Salò o le 120 Giornate di Sodoma – Saló ou 120 Dias de Sodoma (1976)

Diretor: Pier Paolo Pasolini

País: França/Itália

 

Itália, 1944, controlada pelo regime nazista. Quatro libertários fascistas seqüestram 16 jovens e os mantém aprisionados numa mansão repleta de guardas e empregados. Dividido em três partes baseadas nas histórias de Marquês de Sade (“Círculo de Manias, Círculo de Merda e Círculo de Sangue”). Os jovens são levados ao extremo da humilhação, usados como fonte de prazer, masoquismo e morte. É um dos filmes mais chocantes da história, até hoje provoca desagrado de muitos que assistem, por seu alto teor de crueldade e violência gratuita.

Apesar de ser absurdamente de mau gosto, é um bom filme, consegue transmitir a mensagem principal, mesmo ela sendo ruim. O diretor foi assassinado meses após terminar o filme, crime o qual supostamente por motivação política. Pasolini era comunista e homossexual.

2. Thriller – A Cruel Picture (1974)

Diretor: Bo Arn Vibenius

País: Suécia

Madeleine (Christina Lindberg) mora com os pais numa fazenda. Ficou incapaz de falar após um trauma de ter sido molestada na infância, o que a faz passar por sessões de terapia. Num belo dia, após perder o ônibus, aceita carona de um rapaz, aparentemente um bom moço. Após aceitar o convite do rapaz para jantar, é levada para casa dele e drogada, sendo obrigada a se prostituir para sustentar seu vício em heroína. Depois de um desentendimento com o primeiro cliente, tem seu olho arrancado e passa a ser chama de “One Eye”. Com o dinheiro que ela ganha em seus programas, inicia uma série de treinamentos para arquitetar sua vingança; fazendo aulas de tiro, caratê e manobras com automóvel. Película que se tornou cult na cena trash, como um dos raros filmes a mostrar cenas de sexo explícito (não se sabe se foram feitas pela própria atriz).

É bem interessante ver a transformação daquela garota frágil se transformar numa mulher cheia de ódio em busca de vingança. Boas cenas de ação, tiroteios em câmera lenta e um final digno, é o doce sabor da vingança na sua mais cruel forma.

1. Begotten (1990)

Diretor: E. Elias Merhige

País: Estados Unidos

Deus está sozinho e abandonado, e se suicida estripando-se com uma navalha. Eis que de sua morte emerge a Mãe-Natureza, masturba o moribundo e com o sêmen do mesmo fertiliza-se, originando do seu ventre a Humanidade, um ser doente e de extrema fraqueza, que parece mais um mendigo com epilepsia e durante toda sua existência é maltratado por uns monstros que vagam pela terra. É com certeza o filme mais estranho e indescritível que alguém pode ver na vida, não há como se encaixar em algum gênero. A película é toda em preto e branco, sem tons de cinza, o que torna algumas cenas indecifráveis, não há diálogos, apenas barulhos e sons sombrios.

Eu particularmente achei chato e sem noção, mas pra quem gosta de surrealismo gótico e mórbido é uma boa pedida. Segundo o diretor, ele teve a idéia do filme após um acidente de carro, com certeza ele deve ter batido a cabeça.

 

 

 

Os 20 Melhores Filmes da Década (Parte 1)

Na verdaade, esse post está um pouco atrasado, porque a década acabou em 2009, rs. Mas isso não tem problema. O intuito era fazer um top 10, mas foi impossível. Então fiz um top 20 e no final citarei apenas alguns nomes que mereciam estar na lista também. Acho que alguns filmes são os melhores por unanimidade, mas talvez outros não sejam. É muito subjetivo… Talvez, daqui a um ano, terei outros nomes bem diferentes na cabeça, até porque faltam muitos filmes da década pra eu ver. Mas o que importa é que fiquei satisfeita com a lista. Portanto:

20. Amores Brutos (Amores Perros, 2000, Alejandro Gonzáles Iñárritu)

Não gosto muito do nome que deram ao filme, o certo seria Amores Cachorros, que mostra uma ambiguidade existente na história, mas isso não faz de Amores Brutos um filme menos interessante. Um acidente automobilístico entrelaça três histórias diferentes, que se passam na cidade do México. A partir daí, o roteiro é conduzido de maneira ágil por cada história, cada drama sofrido pelos personagens. O filme é bastante “sujo”, com cenas que causam impacto e mexe com quem está assistindo. Mostra que a vida pode ser totalmente modificada por causa de um simples momento. O desfecho do filme é ótimo e a frase final fica na cabeça: porque também somos o que perdemos.

19.  Amnésia (Memento, 2000, Christopher Nolan)

Amnésia é no mínimo inovador. O filme começa com o final e termina com o início, a história é toda contada de trás pra frente. Guy Pearce está incrível no papel de Leonard, um homem que sofre de perda de memória recente. Ele não se lembra de fatos que aconteceram há 15 minutos. Consegue viver mantendo hábitos, fazendo anotações pra si mesmo, tatuando os fatos mais importantes e incostestáveis no próprio corpo, tirando fotos dos rostos das pessoas para conseguir identificá-las. A última coisa que lembra é de sua mulher sendo assassinada e de que precisa vingar sua morte. O roteiro pode parecer um pouco banal, mas  não diminui em nada o brilhantismo do filme. É um filme que mexe bastante com o psicológico e precisa ser assistido com bastante concentração. É muito interessante ver como todos se aproveitam da situação do protagonista, inclusive ele mesmo… Existe uma versão “ordenada”, para aqueles que não conseguem entender o filme de “trás pra frente”.

18.  Os Infiltrados (The Departed, 2006, Martin Scorsese)

Acho que já perdi a conta de quantas vezes vi Os infiltrados. Não sei se é porque filmes de máfia me fascinam ou porque o filme tem Jack Nicholson como o mafioso…Frank Costello (Nicholson) é um mafioso que prepara Colin Sullivan (Matt Damon) desde pequeno para infiltrá-lo na polícia e torná-lo seu informante. Enquanto Billy Costigan (Leonardo Dicaprio) é um policial que tenta se infiltrar na máfia de Costello, para tornar-se informante da polícia. Depois de já infiltrados, a máfia e a polícia começam a desconfiar que entre eles há um espião e pra piorar (ou melhorar) a situação, os dois são apaixonados pela mesma mulher. O desenrolar da história é conduzido com maestria por Scorsese e o final faz você odiar ou gostar ainda mais do filme. Vale lembrar que essa parceria entre Scorsese e Dicaprio tem sido muito feliz, gerando ótimos filmes como O aviador, Ilha do medo e Gangues de Nova York. Outra coisa fundamental é a trilha sonora, que deixa as cenas de suspense ou drama melhores ainda.

17.  Snatch – Porcos e Diamantes (Snatch, 2000, Guy Ritchie)

Ah, o que falar de Snatch? um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Um monte de histórias que se ligam de um jeito muito interessante, com um humor finíssimo, um dos melhores roteiros originais que já vi e a trilha sonora é demais. Brad Pitt em uma de suas melhores atuações, sendo um lutador tal qual como foi em Clube da Luta, mas também um cigano. Benicio Del Toro também faz sua participação no filme, junto com Jason Statham (nem gosto muito dele, mas aqui ele está ótimo) e Jason Flemyng. Enfim, só posso ser grata ao Guy Ritchie por esse filme.

16. Adeus, Lênin! (Goodbye, Lênin!, 2003, Wolfgang Becker)

Adeus, Lênin é um filme divertidíssimo, mas possui também seus momentos dramáticos. Christiane (Katrin Sass) é uma patriota que vive na Alemanha oriental, juntamente com seus dois filhos. Nessa época, a Alemanha vivia um período de transição, onde o socialismo começava a ceder lugar para o capitalismo. Após ver seu filho Alex (o excelente Daniel Brühl) apanhando de policiais, Christiane passa mal e entra em coma profundo. Quando acorda, oito meses depois, o
país está totalmente diferente. Houve a queda do muro de Berlim, as comidas mudaram, as roupas também, a propaganda (leia-se coca-cola, principalmente) invadiu todos os cantos da cidade. Com medo de provocar um novo ataque e comprometer a saúde da mãe, Alex passa a recriar e trazer a Alemanha socialista para dentro de casa. Esta não sai de seu quarto, porque por recomendações médicas (e de Alex) precisa ficar em repouso. Mas por quanto tempo ele conseguiria sustentar a mentira? Existem cenas interessantíssimas no filme, como quando a estátua de Lênin é carregada por um helicóptero e sobrevoa a cidade capitalista ou quando um outdoor gigante da coca-cola é colocado no prédio em frente à casa de Christiane. Outro destaque do filme é a trilha sonora, composta por Yann Tiersen.

15. Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007, Sean Penn)

Um dos filmes que mais mexeram comigo, no sentido de fazer pensar, refletir e pensar mais um pouco. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um cara que acabou de se formar em Direito. Tem namorada, família de classe alta, profissão e resolve abandonar isso tudo. Doa suas economias para uma instituição de caridade, se “livra” de tudo que a sociedade impõe e parte pelo mundo afora, sozinho, sem rumo. Buscando somente liberdade, aventura, novas experiências e claro, conhecer a si mesmo. Conhece pessoas que modificam sua vida e modifica também a vida delas. Mas seu maior sonho era conhecer o Alaska, e ele faz essa viagem.. Os últimos 20 minutos do filme são bastante perturbadores, e o desfecho deixa a gente chateado. E o que mais choca é saber que é uma história real, que aconteceu mesmo. Enfim, “Na natureza selvagem” é um filme altamente recomendável.

14. Dogville (Dogville, 2003, Lars von Trier)

Lars von Trier em mais um de seus filmes ousados. Conseguiu inovar colocando o teatro “dentro” do cinema. Grace, vivida por Nicole Kidman, é uma fugitiva de gângsters, que acaba chegando em Dogville, uma cidadezinha isolada dos Estados Unidos. Dogville, por sua vez, é toda representada em um único cenário. As casas, ruas, plantas e animais são pintados no chão, fazendo com que o espectador imagine como é cada coisa. O filme é dividido em partes e começa
apresentando cada personagem. Dogville é praticamente um mundo fechado, alheio à tudo, para as pessoas que moram lá. Portanto, Grace tem que trabalhar e provar para todos que pode ser a nova moradora da vila. Por ser humilde, bondosa e por depender da aprovação das pessoas, todos passam a se aproveitar dela, de várias formas. Uma bela metáfora para mostrar o oportunismo de todo ser humano. O filme é longo e chega a ser arrastado em alguns momentos, mas merece paciência por ter um final que, com certeza, deixa qualquer espectador satisfeito.

13. Perfume: A História de um Assassino ( Perfume: The Story of a Murderer, 2006, Tom Tykwer)

Fiquei admirada depois de assistir, mas não é um filme muito bem aceito pela maioria. O filme já começa com cenas bastante fortes, quando Jean-Baptiste (Ben Whishaw) nasce em um mercado de peixe, no meio da sujeira, do fedor. Mas isso, na minha opinião, só deixa o filme ainda melhor, com um visual mais belo, mais ousado. Jean-Baptiste tinha um dom, podia sentir e diferenciar o cheiro de cada coisa, a metros de distância. Depois de sentir o cheiro de uma
mulher (que acaba matando sem querer), ele fica obcecado em preservar aromas humanos. Se torna aprendiz em uma perfumaria, aonde aprende a nomear cada coisa, a entender como se cria o perfume, etc. Com isso, passa a matar jovens mulheres cujo perfume lhe chama a atenção. Depois de muitos assassinatos, descobrem que ele é o principal suspeito, mas ainda falta uma mulher pro “perfume perfeito” poder ser criado. Ele consegue, mas é preso, julgado e condenado à morte. E no dia da sua execução..acontece uma das cenas mais surreais que eu já pude ver.

12. Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003, Sofia Coppola)

Encontros e desencontros conta a história do ator Bob Harris (Bill Murray) e da jovem fotógrava Charlotte (Scarlett Johansson). É um retrato perfeito do vazio, de uma sensaçao que só quem já passou consegue entender. Ambos estão em Tóquio e se hospedam no mesmo hotel. Ela tem metade da idade dele, estilo de vida diferente, mas compartilha da mesma solidão, sente o mesmo deslocamento. Isso faz com que logo se tornem grandes amigos. Passam a sair juntos pelas ruas de Tóquio. Fato importante é que os dois são casados, então fica aquela expectativa de que eles vão se envolver fisicamente, mas o que a gente vê é a forma mais simples e pura de amizade e de amor. Duas almas que compartilham as mesmas angústias e se completam. Quando Bob tem que ir embora, eles não sabem como se despedir, o que fazer. E é aí, no final, que o filme “acontece”.

11. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish, 2003, Tim Burton)

Pra mim, é um dos melhores do Burton. O filme diverte, emociona e encanta o tempo inteiro. Ed Bloom (Albert Finney) é um grande contador de histórias. Suas aventuras encantam a todos, menos a uma pessoa: seu filho Will (Billy Crudup). Quando Ed fica doente, Will tenta se reaproximar do pai e começa a recordar as várias histórias que já tinha ouvido centenas de vezes. O jovem Ed Bloom é interpretado por ninguém menos que Ewan McGregor, e cada “fábula” do filme é mais encantadora que a outra. O final me despertou um monte de sensações incríveis, enfim.. Acredito que quem assiste não se arrepende.

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10. Oldboy (Oldboy, 2003, Chan-wook Park)

Oldboy é um filme coreano, daqueles que a gente se pergunta o tempo inteiro: aonde essa história vai chegar?! O filme conta a vida de Oh Dae-su (Choi Min-sik). Um homem casado e com filha, que depois de sair de uma cabine telefônica some, misteriosamente. A partir daí, a gente acompanha sua solidão durante os 15 anos em que fica aprisionado dentro de um quarto, com apenas uma TV. Dentro do cativeiro, ele passa a aprimorar suas habilidades, na certeza de que vai se libertar e destruir quem fez aquilo com ele. Seu ódio e sua vontade de se vingar crescem dia após dia, principalmente quando vê no noticiário o assassinato de sua mulher. O principal suspeito do crime? ele próprio. Mas o que interessa mesmo é que depois de 15 anos ele consegue escapar. E o que vemos a partir daí é incrível demais. É um filme perturbador, cheio de cenas fortes, com uma trilha sonora que complementa a qualidade do roteiro, que faz a gente criar uma expectativa tão grande quanto a do próprio protagonista, em descobrir o motivo de tudo.

9. Shortbus (Shortbus, 2006, John Cameron Mitchell)

Uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo e seu marido, uma dominatrix solitária, um voyeur, um casal gay que não consegue transar, e Ceth, jovem que parece ser o vértice ideal para um eventual triângulo deste casal. E um clube underground chamado Shortbus onde toda essa gente vai se encontrar. Parece um filme de putaria, mas não é (apesar de ter). Na verdade, é um dos filmes mais poéticos que eu já vi na vida. Não daqueles que esfregam a poesia na sua cara, mas que deixa mensagens a cada cena, que cria metáforas, que faz a gente pensar na própria vida de uma maneira diferente, muito melhor. A trilha sonora é outro ponto alto do filme, que já começa ao som de Anita O’Day e ainda conta com Animal Collective e Yo La Tengo. Vale a pena ver o ser humano e tudo que faz parte dele tão bem abordados nesse filme.

8. O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, 2009, Juan José Campanella)

O segredo dos seus olhos é sensacional e emocionante. Benjamín Espósito (Ricardo Darín) é um oficial de justiça aposentado, que tenta escrever um livro baseado num brutal assassinato que investigou anos antes. Enquanto escreve o livro, Benjamín vai relembrando toda a história e começa a questionar pra si mesmo todos os erros que cometeu durante a vida. A trama principal (sua vida) e a subtrama (a investigação do assassinato) se entrelaçam de uma forma magnífica e surpreendente. O final do filme não poderia ter sido outro. Mereceu todas as indicações e todos os prêmios ganhos.

7. Deixa Ela Entrar (Låt Den Rätte Komma In, 2008, Tomas Alfredson)

Um dos melhores filmes de vampiro que já vi na vida. E olha que é um filme muito simplório, mas tem umas cenas antológicas. Não tem exércitos de vampiros com milhares de efeitos e orçamento caríssimo, pelo contrário, tem só uma vampirinha (que na verdade é um vampiro que foi castrado quando criança) e um menino que tem feições de menina. Talvez por ser tão fora dos padrões que o filme seja tão encantador. Oskar (Kåre Hedebrant) é um menino sueco que sofre bullying na escola e vive planejando sua vingança contra os outros garotos. Enquanto Eli (Lina Leandersson) é uma menina que mostra ser tudo que Oskar sempre sonhou (forte e destemida). O romance entre os dois cresce aos poucos, enquanto Oskar continua frequentando a escola, Eli faz suas vítimas pelas redondezas.
Importante ressaltar que Eli tem um vassalo, com quem manteve um relacionamento ao longo de sua vida. Quando ele deixa de ser útil, ela precisa arrumar um novo..Com o sucesso do filme, trataram de fazer um remake hollywoodiano rapidinho. Eu ainda não assisti, mas pretendo. Só sei que a versão sueca é perfeita, e provavelmente, insuperável.

6. Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004, Michel Gondry)

Brilho eterno de uma mente sem lembranças é um dos grandes filmes cult da última década. Mas o burburinho em volta dele não é superestimado, na minha opinião. Vale cada minuto. Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) são um casal que vive uma crise no relacionamento. Ele é metódico e tímido, totalmente o oposto dela, que é impulsiva e extrovertida. São duas pessoas que se complementam e ao mesmo tempo “batem de frente”. Um dia, Joel descobre que Clementine o apagou da sua mente através de uma clínica especializada nesse tipo de serviço. Desesperado, acredita que a única solução é fazer o mesmo procedimento. A partir daí, o filme se passa dentro da cabeça de Joel, em que ele relembra fatos enquanto estes vão sendo apagados. Mas ele se arrepende e tenta anular o processo dentro da sua própria mente, fugindo com Clementine para lugares desconhecidos pelos que estão apagando sua memória. A fotografia do filme é linda e o roteiro (como se nota) é super original.

5. O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, 2006, Guillermo del Toro)

Guillermo del Toro soube misturar maravilhosamente realidade com fantasia nesse filme que, além de possuir uma fotografia impecável, possui um dos roteiros mais criativos, em se tratando de filme fantasioso. Ofélia (Ivana Baquero) muda com a mãe para o acampamento militar de seu novo marido. Em meio a guerra espanhola, descobre que é a princesa de um mundo mágico. Para “recuperar seu trono”, ela precisa passar por três provas. Uma dessas provas rende a melhor cena do filme (foto), na minha opinião. A alternância entre a crueldade da vida real e a beleza da vida fantasiosa e a forma como isso é mostrado, fazem desse filme um dos mais belos dos últimos tempos.

4. Os Sonhadores (The Dreamers, 2003, Bernardo Bertolucci)

Três jovens e uma coisa em comum: a paixão pela sétima arte! Esse é o típico filme que todo mundo que gosta muito de cinema deveria ver. Bertolucci gerou muita polêmica com ele, devido às várias cenas de nudez. Mattew (Michael Pitt) é um americano que mora e estuda em Paris, e através do cinema conhece aqueles que virão a ser seus grandes amigos, os irmãos gêmeos Théo e Isabelle (Louis Garrel e Eva Green). Théo e Isabelle (principalmente ela), são os personagens que fascinam a quem assiste, por conta de suas excentricidades. São personagens bem construídos, inteligentes, inteiramente ligados entre si, e que vão fazendo Mattew viver um monte de experiências. Eles vivem a época da revolução estudantil, mas isso serve mais como “fundo” para a história entre os três. No decorrer do filme, Isabelle se envolve mais com Mattew, fazendo com que o personagem de Théo fique mais “de lado”. Mas isso sofre uma reviravolta quando Isabelle demonstra a total dependência que tem pelo irmão e depois, quando a revolução “invade” o mundo criado por eles. São feitas várias referências à outros filmes, incluindo alguns de Godard, Truffaut, Chaplin, Bergman, etc. Sem falar da ótima trilha sonora que vai de Hendrix à Édith Piaf.

3. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, 2001, Jean-Pierre Jeunet)

O fabuloso destino de Amélie Poulain é um filme sobre as coisas simples da vida. A gente nota isso logo de início, quando os personagens vão sendo apresentados juntamente com seus pequenos prazeres. Amélie (Audrey Tautou) foi criada isolada de outras crianças, por isso depois de adulta ficou bastante introspectiva, ingênua. Ao encontrar uma caixinha com brinquedos e coisas antigas, decide devolvê-la ao dono. Se ele se emocionasse ela passaria a ajudar as pessoas a serem mais felizes. E é isso que acontece. Amélie passa o filme inteiro levando alegria e amor às outras pessoas (de forma bem criativa). Com isso, ela se livra da reclusão sentimental em que vivia..e passa a buscar a sua própria felicidade. Não bastasse o roteiro super criativo, o filme ainda tem uma fotografia perfeita e trilha sonora viciante, feita por Yann Tiersen (mesmo de Adeus, Lênin!)

2. Control – A História de Ian Curtis (Control, 2007, Anton Corbijn)

Control é um filme que conta a vida de Ian Curtis (líder do Joy Division), desde sua adolescência até o suicídio, aos 23 anos. Acredito que mesmo quem não é fã, nem nunca tenha ouvido falar da banda, com certeza se identifica com as angústias que sentiam o cantor, e claro, com a belíssima e triste história que foi sua vida, seus amores, sua carreira. Ian (Sam Riley) sempre escreveu desde muito novo, e na música foi influenciado por nomes como Lou Reed, David Bowie e Iggy Pop. Casou-se muito jovem, entrou pro Joy Division, teve uma filha, começou a fazer sucesso, descobriu que tinha epilepsia, arrumou uma amante..e a junção disso tudo fez ele ficar totalmente perturbado. Por causa dos ataques epilépticos (cada vez mais frequentes), desenvolveu um jeito diferente de dançar, que virou sua marca. Ficou famoso por suas letras e suas performances únicas. Acredita-se que o suicídio aconteceu por causa dos ataques de epilepsia, unidos ao fato de ter de escolher entre mulher e filha e sua relação extraconjugal, e por não saber lidar com o seu talento. O filme retrata toda essa história em preto e branco, o que dá um ar mais melancólico e pesado. Com uma fotografia maravilhosa e atuações digníssimas.  Sem contar que a trilha sonora deve ser uma das melhores dos últimos tempos. E o espectador consegue entender perfeitamente porque Ian perdeu o controle.

1. Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000, Darren Aronofsky)

É um dos melhores filmes sobre drogas que existe. Eu costumo pensar em Réquiem para um sonho como um “irmão oposto” de Trainspotting. Em trainspotting  (se a lista não fosse da última década com certeza estaria presente) o protagonista escolhe viver, afinal de contas..e tudo dá “certo”. Já em Réquiem, nao é assim. A música de início (ótima, por sinal) já nos mostra o quão sombrio vai ser o resto do filme. É abordado não só o vício pelas drogas ilegais, mas também pelas drogas legais, como a anfetamina, socialmente aceitável. O filme acompanha a vida de quatro personagens ligados entre si e consegue transferir pra quem está assistindo, brilhantemente, uma sensação de incômodo, um mal mesmo, tão grandes..Destaque para a atriz Ellen Burstyn, que vive a mãe do personagem principal Harry (Jared Leto). Uma mulher viúva, frustrada, que passa o tempo assistindo TV (crítica ao padrão de vida norte-americano, mas que vale para o padrão de vida do mundo inteiro, né) e que sonha em aparecer em uma. Recebe um telefonema sendo convidada para participar do seu programa preferido. Começa a tomar anfetaminas para emagrecer e caber no seu antigo vestido, mas acaba viciada. O final do filme é um soco no estômago e tem uma das cenas mais lindas que eu já vi: todos os personagens em posição fetal. Merece ser o primeiro lugar.

Outros filmes que também mereciam estar na lista: A Viagem de Chihiro, O Pianista, Má EducaçãoSin City – A Cidade do Pecado, Onde os Fracos Não Tem Vez, O Curioso Caso de Benjamin Button, Onde Vivem os Monstros, As Canções de Amor, Bastardos Inglórios, etc.

E pra você, quais são os melhores filmes da década?