O começo do cinema


Auguste Marie Louis Nicholas Lumière (1862–1954) e Louis Jean Lumière (1864–1948) são frequentemente considerados os pais do cinema, patentiaram o cinematógrafo (que era uma máquina de filmar e projetar cinema), invetado na verdade por Léon Bouly, em 1892.

Em 19 de Março de 1895 foi registrada a primeira imagem em movimento com o nome de La Sortie de l’usine Lumière à Lyon (A Saída da Fábrica Lumière em Lyon), onde Louis Lumière acionou a manivela. Oitocentas imagens em 50 segundos, que foram projetadas, três dias depois, numa conferência em Paris. O espanto e curiosidade foi geral.

A partir daí, passaram a ser fabricantes de apareIhos, de películas, produtores e distribuidores de seus próprios filmes. Louis Lumière morreu em 1948 aos 84 anos. Auguste, seis anos depois, com 92. “Cheguei ao fim do filme”, disse poucos dias antes.

 

 

 

 

 

 

 

Abaixo, o filme “A saída da Fábrica” de 1895:

 

 

Curiosidade: O primeiro filme erótico foi produzido um ano após, em 1896, com o nome de “O Deitar da Esposa”, do diretor francês Eugène Pirou. A cena que tem apenas 3 minutos, mostra a atriz nua indo se deitar com o marido. Nada demais se comparado as novelas atuais, mas para a época foi bem interessante, principalmente para os homens.

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O Início do Terror

Após a invenção dos irmãos Lumière, criando o mundo do cinema, a expansão do mesmo foi inevitável. Nos anos seguintes foram produzidos vários obras de todos os gêneros, se distribuindo por vários países. Um ano após o cinematógrafo ter sido inventado (1896), tivemos a produção do primeiro filme de terror que se tem notícia: Le Manoir Du Diable (A Mansão do Diabo). Realizado por Georges Miéliès, tido como precursor do gênero,  “pai dos efeitos especiais” e um dos maiores cineastas de todos dos tempos.

A película de aproximados 3 minutos e 17 segundos, mostra a história de um cavalheiro que entra em uma mansão mal assombrada e é aterrorizado por ilusões.

Podem parecer cômicas as cenas, mas é impressionante a criatividade e a ousadia usada nos efeitos especiais, levando em conta as circunstâncias e a precariedade da época.

 

 

Le Manoir du Diable (A Mansão do Diabo) – 1896:

 

Stephen King: Do papel à película

  Stephen King

Você pode não conhecê-lo, mas com certeza já viu ou ouviu falar de alguma adaptação para o cinema de uma de suas obras. Stephen Edwin King é um autor norte-americano, nascido em 21 de setembro de 1947, em Portland, no Maine. Desde pequeno King gostava de ler quadrinhos de terror e suspense, o que influenciou em seu estilo para escrever. King hoje é considerado o mestre do terror moderno e suas obras já foram lançadas em mais de 40 países, sendo o nono autor mais traduzido no mundo.

Seus livros ficaram famosos por trazerem um terror comum, um medo natural que as pessoas têm pelas coisas ou animais, tratar de temas do cotidiano e dramas pessoais. Seu modo detalhista e humor na escrita transforma seus textos em histórias prazerosas de se ler. O escritor consegue fazer situações que parecem banais se transformarem em narrativas de horror angustiantes.

Com seu talento reconhecido, King teve vários de seus livros e contos adaptados para o cinema, foram 42 até hoje. Algumas dessas adaptações foram dirigidas ou roteirizadas por ele.

Então, decidi reunir suas adaptações para o cinema mais ilustres.

Carrie, A Estranha (1976): Com a direção de Brian de Palma, o filme foi realizado 2 anos após a publicação de King de seu primeiro livro. O filme narra a história de Carry White, uma jovem extremamente recatada que vive reclusa com sua mãe, uma fanática religiosa extremamente controladora e incisiva. Por ser uma garota tímida e não muito bonita, foi sempre menosprezada pelos seus colegas de escola. Carrie, então, descobre que possui poderes telecinéticos (capacidade de mover coisas com o poder da mente), ocasionando uma reviravolta em sua vida e das pessoas que a subjugavam. O filme teve um remake mediano em 2002 e outro recentemente em 2013.

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O Iluminado (1980): É talvez a adaptação para o cinema mais famosa e lembrada de King. Graças a direção de Stanley Kubrick e a atuação majestosa de Jack Nicholson, o filme se tornou um marco do terror moderno, sendo incorporado na cultura pop cinematográfica. Baseado no livro homônimo, o filme traz questões como solidão, isolamento, loucura e influência do ambiente. Jack Torrance (Nicholson), um escritor e um alcoólatra em recuperação, aceita um emprego como zelador fora de época de um hotel isolado chamado Hotel Overlook. Seu filho possui habilidades psíquicas e é capaz de ver coisas do passado e do futuro, como os fantasmas que habitam o hotel. Logo depois de se instalarem, a família fica presa no hotel por uma tempestade de neve e Jack torna-se gradualmente influenciado por uma presença sobrenatural; ele desaba na loucura e tenta assassinar sua esposa e filho. “Here’s Johnny!”

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Christine, O Carro Assassino (1983): Um clássico do saudoso ‘Cinema em Casa’ do SBT, o filme narra a história de Arnold “Arnie” Cunningham, jovem nerd sem muitas ambições na vida. Tudo muda quando está dirigindo de volta pra casa e avista Christine, um antigo e destruído carro estacionado no gramado de uma casa. Arnie compra o carro e o reforma, sua vida com isso se transforma, passa a ter uma paixão e ciúme doentio pelo carro (sentimentos que são recíprocos). Christine passa a afastar qualquer pessoa que de alguma forma interaja demais com Arnie, provocando acidentes e mortes. O amor mata!

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A Colheita Maldita (1984): Adaptação de um conto de King lançado em 1978, o filme foi polêmico para época de lançamento, por mostrar crianças assassinas influenciadas por uma “seita religiosa”. Todos os adultos da cidade rural de Gatlin estão mortos, só crianças residem no local, o motivo? Adultos são impuros e não devem habitar a cidade, e aqueles que ousarem adentrar na cidade, devem ser exterminados! Uma crítica severa aos dogmas e crenças que influenciam de forma negativa os indivíduos.

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It – Uma Obra Prima do Medo (1990): Você tem medo de palhaço? Se a resposta é sim, não é aconselhável assistir este filme. Se a resposta é não, irá rever seus conceitos. Há 30 anos, uma cidade do interior dos Estados Unidos foi aterrorizada por um assassino de crianças, conhecido como A Coisa. Agora, a criatura sanguinária reaparece sob a forma de um palhaço. Quando o bibliotecário Michael Hanlon sente sua presença, ele convoca outros seis amigos para combater o monstro que destruiu suas infâncias. É muita palhaçada, no bom sentido da palavra.

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Louca Obsessão (1990): Paul Sheldon é um escritor de muito sucesso, e após finalizar sua mais nova obra, segue em uma viagem para entregar seu manuscrito para ser publicado. Porém, durante seu trajeto é atingido por uma nevasca e acaba sofrendo um acidente. Paul é socorrido pela caridosa e amável Annie Wilkes, é levado para sua casa onde é tratado e descobre que a mulher é sua fã número 1. Após ler escondido o manuscrito do seu ídolo, Annie descobre que seu personagem favorito morre no fim da história. Começa aí um cárcere e tortura gerado pela revolta de Annie, que obrigada o escritor a mudar a história. Moral da história: nunca contrarie um fã!

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O Apanhador de Sonhos (2003): Estrelado por Morgan Freeman, o filme narra a história de quatro garotos que após salvarem um jovem com síndrome de Down ganham poderes de telepatia. Tempos depois em um acampamento, ficam presos em uma nevasca. Lá descobrem que uma força alienígena está prestes a manipular as mentes dos habitantes da cidade onde moram.

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A Janela Secreta (2004): Protagonizado por Johnny Depp, incorporando Mort, um escritor com bloqueio criativo – causado pelo adultério de sua esposa – que se isola em uma cabana no meio da floresta. Vive um tremendo ócio e dorme a maioria do tempo. Num belo dia é acordado por um homem afirmando que Mort roubou sua história, e partir daí o homem começa a vigiá-lo e ameaçá-lo de forma cada vez mais constante. Um suspense daqueles que te faz sentir pena do personagem principal.

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1408 (2007): Com John Cusack e Samuel L. Jackson, o filme gira em torno de um promissor romancista disposto a escrever sobre fenômenos paranormais, porém, é extremamente cético e nunca encontrou evidências de acontecimentos do mundo dos mortos. Ele resolve se hospedar em um quarto de hotel em Nova York que possui a fama de ser assombrado por espíritos, fato reforçado após o gerente do hotel lhe informar que já ocorreram 56 mortes no local. Coisas estranham começam acontecer e o escritor passa a questionar e reavaliar seu ceticismo.

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O Nevoeiro (2007):  Depois de uma violenta tempestade devastar a cidade, David Drayton e seu filho Billy correm para o supermercado, com medo que os suprimentos se esgotem. Porém, um estranho nevoeiro toma conta da cidade e faz  com que eles e outras pessoas que estavam no local fiquem presos no supermercado. Logo descobrem que há algo de sobrenatural em meio a névoa e caso deixem o local, podem ser atacados. Muita crítica a convivência entre pessoas diferentes e criaturas bizarras.

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Nem só de histórias que assustam vive Stephen King, ele também escreve narrativas dramáticas e emocionantes:

Conta Comigo (1986): Um clássico dos tempos áureos da ‘Sessão da Tarde’ da Globo. O filme narra a história  do escritor Gordie Lachance relembrando um fato da sua infância. Quando tinha 12 anos e vivia em Oregon (EUA), ele e mais três amigos saíram em uma aventura na mata em busca de um corpo desaparecido. O que eles não imaginavam é que essa busca se tornaria uma grande aventura, cheia de descobertas e fortalecimento de suas amizades. Quem nunca quis na juventude se aventurar por aí com os amigos? Uma história emocionante sobre companheirismo.

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Um Sonho de Liberdade (1994): O filme foi indicado a 7 Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Morgan Freeman. O drama conta a história de um banqueiro que é sentenciado a prisão perpétua, por assassinar sua mulher e seu amante, apesar de sempre alegar inocência. Na prisão conhece “Red” (Morgan Freeman) que também cumpre prisão perpétua, um influente detento que controla o mercado negro dentro do presídio.

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À Espera de um Milagre (1999): O filme foi indicado a 4 Oscars na época, incluindo melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante para Michael Clarke Duncan (que morreu em 2012). A história se passa no corredor da morte de uma prisão do Sul dos EUA, em 1935, narrando o comovente relacionamento entre o guarda da prisão Paul Edgecomb (interpretado por Tom Hanks) e o prisioneiro John Coffey (Duncan), que tem o dom de curar as pessoas. Ao conhecer melhor John, Paul começa a duvidar de crimes atribuídos a ele: o assassinato de duas jovens garotas. Um história emocionante, indispensável para quem aprecia um bom filme.

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Lembranças De Um Verão (2001): Protagonizado por Anthony Hopkins, o filme conta a história de Robert Garfield, que após a morte de um amigo começa a relembrar um verão da sua infância. Quando tinha 11 anos, ele teve sua vida marcada pela amizade de Carol, Sully e Ted Brautigan – o novo vizinho. Muita nostalgia pra quem gosta de lembrar dos bons tempos de juventude.

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Mockumentary, o que é isso?

Muitos produtores tentam realizar seus filmes com o máximo de realismo possível, vendendo o mesmo como uma obra que de fato aconteceu e de todo o ocorrido só se sobrou as câmeras ou rolos de filme, com imagens trêmulas e às vezes incompreensíveis; passam uma ideia que realmente se trata de uma produção amadora/caseira. Esses são os famosos “Mockumentary”, uma junção de ‘mock’ (falso) com ‘documentary’ (documentário), também podem ser chamados de “found footage” em alguns casos. cloverfield2

Alguns desses mockumentary são tão bem produzidos que, um telespectador mais leigo pode até acreditar naquilo que está vendo, pois essa é a intenção.

Em um dos filmes mais violentos, agressivos e peculiares de todos os tempos, é usada essa premissa do found footage. Holocausto Canibal (1980) é um filme pra quem tem mente aberta e estômago, o filme narra a história de quatro jovens em busca de índios canibais pela Amazônia, mas acabam se dando mal e todos morrem. Um antropólogo viaja para o local na tentativa de encontrar os jovens perdidos e encontra apenas rolos de filmes. Filme foi proibido em vários países e partir dele o mundo do falso documentário nunca mais foi o mesmo.

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Mas, a produção que alavancou o mercado do gênero foi o simplório e criativo A Bruxa de Blair (1999), filme em que na minha humilde opinião, foi o maior marketing produzido no mundo cinematográfico, no auge da internet, o filme foi altamente propagado como sendo verdadeiro e que os jovens tinham desaparecido de verdade, uma grande jogada de marketing que rendeu muito, o filme custou apenas 50 mil dólares e arrecadou 249 milhões. Os atores não sabiam suas falas, os diretores os assustavam de verdade e tudo que era feito pelos atores foi improvisado, coitados.

Tivemos bons filmes, quando o gênero já estava em repouso, eis que surge outra grande jogado de marketing: Atividade Paranormal (2007), sucesso de bilheteria e ajudou a aguçar o desejo dos produtores pelo gênero já em esquecimento, como por exemplo, o ótimo [REC] (2007); o catastrófico Cloverfield (2008), entre outros.

Recentemente tivemos outra produção que causou certo “alvoroço” e tido como verdadeiro, o mediano Contatos Imediatos de 4º Grau, que após alguma certa pesquisa, descobriu-se que as pessoas das “filmagens reais” do filme eram na verdade atores desconhecidos.

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Outros produções bacanas do gênero são :

Lake Mungo (2008) – Sobre uma menina que após sua morte é vista em vultos pela casa dos pais.

A Possessão de David O’Reilly (2009) – Conta história de um rapaz (o tal David) que está possuído por um espírito do mal e vai se hospedar na casa de um amigo (não é um mockumentary em si, mas tem alguns cenas que dão a entender).

Desaparecidos (2011) – Filme brasileiro que narra a saga de seis jovens descolados que vão para uma festa, todos com câmeras penduradas em seus respectivos pescoços; ao saírem para a mata ao redor são surpreendidos por uma criatura desconhecida.

Fenômenos Paranormais (2011) – Uma equipe de um reality-show sobre fantasmas se tranca em um hospital abandonado (supostamente assombrado), para passarem a noite e descobrem que o lugar é realmente sombrio .

Diário dos Mortos (2008) – Zumbis invadem do nada as gravações de um filme “real” produzidos por jovens, começam aí toda a luta pela sobrevivência, sem deixar de lado a câmera para se registrar tudo.

Moral da história: não acredite quando dizem que é um filme real, afinal, no mundo dos filmes, quanto maior o marketing, maior a curiosidade das pessoas para irem ao cinema.

Zumbis: As Vezes Os Mortos Voltam

“Quando não houver mais lugar no inferno os mortos caminharão sobre a terra”, é com essa celebre frase do exemplar filme Despertar dos Mortos (1978) que venho tentar mostrar um pouco como surgiu e como até hoje os mortos vivos ainda fazem sucesso. Tomando conta de filmes, livros, séries de televisão, brinquedos e da cultura mundial. Especificamente sobre a influência desse tema no cinema é o que abordei nesse post.

Lanchinho

LEVANTE E ANDE!

A história de que os mortos podem andar e até ser controlados, vem da crença popular africana explorada no Vodu, onde acreditam que uma pessoa morta pode ser revivida por um feiticeiro. A palavra ‘Zumbi’ vem de um idioma africano, e significa ‘alma de pessoa falecida’.

O primeiro filme a explorar o tema sobre zumbis foi White Zombie – Zumbi Branco (1932). O filme tem como ator principal o saudoso e eterno ‘Drácula’ Bela Lugosi, interpretando Legendre, um feiticeiro que revive os mortos para trabalharem em sua fábrica. Dirigido por Edward Halperin e Victor Halperin. A idéia deu tão certo que em 1936 houve uma seqüência também dirigida por eles chamado Revolt Of The Zombies (Revolta Dos Zumbis).

             

Mas o tema se tornou realmente notório 32 anos depois com o lançamento do clássico absoluto Night Of The Living Dead – A Noite dos Mortos Vivos (1968),  dirigido pelo diretor George A. Romero, é considerado o pai dos filmes modernos sobre a temática zumbi. Com um orçamento de pouco mais de 110 mil dólares e utilizando escassos cenários, se tornou polêmico por sua violência explicita e final “não feliz”, chamado até de satânico e muito criticado pelos mais conservadores.

A partir daí a coisa tomou novos ares e se espalhou pelo mundo todo, em 1971 o diretor espanhol  Amando de Ossorio nos amedronta com o assombroso e impressionante La  Noche Del Terror Ciego – A Noite do Terror Cego, o filme narra a lenda dos Cavaleiros Templários, que em um dia especifico levantam de suas tumbas atraídos pela respiração e gritos de suas vítimas. Gore e mais gore, cenas realmente impressionantes.

Em 1978 George A. Romero nos presenteia com a seqüência Dawn of the Dead – Despertar dos Mortos. Onde um grupo de pessoas se refugia em um shopping num mundo já tomando por zumbis, criticando explicitamente o consumismo das pessoas até mesmo após a morte.

Outro país que pegou carona nas obras americanas foi a Itália, não que isso tenha sido ruim, pelo contrário, o diretor Lucio Fulci conseguiu nos mostrar em Zombie – Zumbi 2 (1979) os zumbis na sua pior forma possível, putrefatos, caindo aos pedaços, coberto de vermes e saindo de túmulos. Não é um filme para todos os gostos, tem que ter estômago, destaque para a cena onde um zumbi lentamente empurra a mulher até um pedaço de madeira furando seu olho.

Os anos que se seguiram foram de ascensão do tema, com o gore de Day of the Dead – Dias dos Mortos(1985) , também dirigido por George Romero; o divertido The Return of the Living Dead – A Volta dos Mortos Vivos (1985), baseado no primeiro filme de Romero, mas aqui numa versão “comédia”; The Serpent and the Rainbow – A Maldição dos Mortos Vivos (1987), dirigido pelo inventor do Freddy Krueger, Wes Craven; já em 1990 temos o remake de Night Of Living Dead, dirigido por Tom Savini, conhecido como um dos reis dos efeitos especiais no mundo do terror.

    

  

DE VOLTA PRA TUMBA

Os anos 1990 não tiveram muita notoriedade nesse subgênero, sendo um pouco esquecido por algum tempo. Destaque para Braindead aka. Dead Alive – Fome Animal (1992), um ícone trash dirigido pelo vendido Peter Jackson, é, antes de Senhor dos Anéis o cara contribuiu muito para o mundo do horror.Merece destaque também o italiano Dellamorte Dellamore aka Cemetery Man – Pelo Amor e Pela Morte (1994), Francesco é o zelador de um cemitério, cuidando de enterros e de toda infraestrutura do lugar, o único problema é que após 7 dias os mortos voltam a vida, e sua missão é dar aquele velho headshot. Até que um dia ele se apaixona pela viúva de um dos falecidos que visita freqüentemente o túmulo do moribundo. Após uma cena de sexo bucólica num túmulo a viúva é mordida pelo marido zumbi, agora matar ou não matar a mulher de sua vida? Eis a questão. Parece meio estranha a história, mas nada disso, é bem surreal e inteligente, dando uma boa passada pelo humor negro, mais uma bela obra italiana.
  

 

 

ASCENSÃO: VELOZES,  FURIOSOS E FORTES 

Já nos anos 2000 a horda zumbi está de volta, só que dessa vez um pouco mais ligeira e sem muita criatividade.

Em 2002 temos o fraco e sem sal Resident Evil – Resident Evil: O Hospede Maldito, baseado no clássico jogo de vídeo game, o filme agradou apenas aos fãs do jogo e jovens que nunca tinham assistido a qualquer filme sobre zumbi de verdade; no mesmo ano temos ainda o até interessante 28 Days Later – Exterminio (2002), o filme conta a história de Jim, um rapaz que após 28 dias em coma acorda no hospital abandonado e se vê numa cidade deserta, começa ai uma jornada pela sobrevivência sem saber o que realmente aconteceu; em 2004 temos outro remake de um filme de George Romero, Dawn of the Dead – Madrugada dos Mortos, filme em que os zumbis são fortes e correm (?), atrás de suas vítimas trancafiadas em um shopping, também cultuado por muitos, mas verdadeiramente desnecessário.

Mas como uma luz no meio de tantos filmes medianos, eis que o ‘pai dos zumbis’ nos salva outra vez com o ótimo Land of the Dead – Terra dos Mortos (2005), George Romero dessa vez usa um pouco da tecnologia para contar uma história de uma terra tomada por zumbis, os poucos humanos que sobraram vivem em uma cidade cercado por muros e barreiras. Enquanto os mais ricos vivem em prédios isolados e protegidos controlados por um milionário, os moradores mais pobres sucumbem pelas ruas, onde a violência, o uso de drogas e roubos proliferam cada dia mais, aquela velha crítica sempre presente nos filmes de Romero, esse é o cara!

E não poderia de deixar de comentar a surpresa e originalidade de [Rec] – [Rec] (2007), criado pelos espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza, o filme trouxe a tona uma velha forma de narrativa, o mockumentary –  falsos documentários, feitos para enganar o espectador, ficou mais popularizado após o lançamento de ‘A Bruxa de Blair’. Toda a história é mostrada através da câmera de uma reportagem, onde uma repórter e um câmera gravam um programa sobre a vida noturna num batalhão de bombeiros, após um chamada supostamente comum, eles acompanham os bombeiros até um prédio e lá descobrem que a coisa é mais séria do que pensavam. Ótimas cenas de sustos, reviravoltas na história e o tema do satanismo inserido de maneira bem interessante tornaram essa película um grande destaque no meio de tanta bomba lançada ultimamente.

Também em 2007 temos outro filme de Romero, Diary of the Dead – Diários dos Mortos (2007), também usando a narrativa de mockumentary, onde os próprios personagens é que filmam a história num mundo invadido por zumbis enquanto tentam sobreviver, muitas cenas de violência como sempre.

             

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO ATACADO!

Nos anos 2000 também tiveram a volta do chamado “terrir”, apresentado pela primeira vez com o tema zumbi ‘A Voltado dos Mortos Vivos’, já citado aqui. Mostrando que nem tudo deve ser levado a sério, nem mesmo o mundo pós-apocalíptico, temos películas até divertidas como o britânico Shaun of the Dead – Todo Mundo Quase Morto (2004), conta de maneira hilária a história “romântica” de Shaun, um cara inútil e acostumado a todo dia com a rotina tosca de sua vida, conseguindo assim com seu desleixo com tudo perder sua namorada, até que zumbis começam invadir a cidade, demorando a ser percebido por ele a situação. Cenas bem engraçadas, críticas e paródias de clichês em filmes de zumbis, tornam essa película indispensável pra quem curte humor negro.

Outro que bebeu da fonte do terrir zumbi é o canadense Fido – Fido: O Mascote (2006), filme mostra a história de uma família numa cidade onde é comum os zumbis perambularem pela ruas, com isso uma empresa inventa uma coleira que deixa os zumbis dóceis e úteis para os humanos. Timmy, um garoto solitário, tem sua vida mudada após sua mãe lhe dá de presente um zumbi como mascote, tornando-se seu melhor amigo. Filme faz uma critica bacana sobre o preconceito e as recompensas de se arriscar por alguém.

Nem só de Black Metal vive a Noruega, de lá também surgiu um terrir bacana, Død Snø – Dead Snow (2009), narra a história de um grupo de jovens que vão para uma estação de esqui meia isolada do mundo, lá eles encontram um velho que conta sobre uma batalha com soldados nazistas que houve no lugar. Depois de encontrarem um baú cheio de ouro eles sem querer acordam a horda de zumbis nazistas mortos ali. É um filme bacana, se você relevar os erros de roteiros e pensar só na diversão, muito gore e cenas tão absurdas que só nos resta rir.

Zombieland – Zumbilândia (2009), filme foi um sucesso comercial arrecadou cerca de US$102,133,700 mundialmente, se tornando a maior bilheteria de um filme sobre zumbis. Por que? Só vendo para perceber que é merecido. Arranca risos em situações toscas e desnecessários, mas de tão bem feitas acabam sendo divertidas. Columbus é um cara extremamente covarde, mas tem seus próprios métodos para sobreviver em um mundo infestado por zumbis, que se junta com mais duas garotas e um caçador de zumbis bravinho. É risada no começo ao fim, temos até a participação de Bill Murray, interpretando ele mesmo (?), isso mesmo, o gordinho do Caça Fantasmas.

Lembrem-se: Atire sempre na cabeça!

That heart you gone must be waiting for ya?

Essa semana me dediquei a sétima arte com muito intuito, vi filmes maravilhosos e outros que não merecem nem ser mencionados. Dentro de filmes bons ou ruins, vi alguns interessantes.
Depois de muito tempo tentando e, por não ter conseguido ver no cinema, confesso que deu muito trabalho conseguir assistir Biutiful, só quase três meses depois o achei. E confesso que me decepcionei bastante com o filme, imaginava um filme melhor do Alejandro González Iñárritu, talvez estejamos mal acostumados depois de Amores Perros, 21 Gramas, Babel. O filme em si gira em torno de uma vida sem efeito, de idéias que não concretizam. O filme é escuro, escuro também como a vida do personagem principal, vivida pelo ótimo ator Javier Bardem, que salva o filme. Um homem que está em seus últimos dias de vida e tem dois filhos para criar e uma mulher viciada, tinha tudo para ser uma bela história, algo melancólico, chocante, algo que já vimos nos outros filmes de Iñárritu, mas nesse não conhece. O filme é rodado na Catalunha, em uma parte suja, escura, feia, constratando com o ambiente do filme. Então quem for assistir, não vá esperando muita coisa – assim como fui, para não se decepcionar.
Um filme que assisti algumas semanas atrás e até hoje está na minha cabeça foi Never Let Me Go (Não me abandone jamais) baseado no livro de Kazuo Ishiguro. Quando eu li esse livro, reli algum tempo depois, por ser tão bom, uma história impactante que te faz pensar por muitos dias, uma história que fica com você, uma bela história. Como é díficil comparar filme e livro, fui assistir o filme com outros olhos, porque algo me dizia que o filme seria tão bom quanto o livro e, o filme me surpreendeu mais ainda, é um filme maravilhoso. Simples, minimalista, uma bela história, uma fotografia impecável, atores ótimos como Carey Mulligan, Keira Knightley e Andrew Garfield. Os três estão maravilhosos no filme, até a Keira que muitas vezes é sem graça, conseguiu atuar melhor. A história gira em torno desses três personagens e sobre a doeção que eles terão que fazer, por serem espécies modificadas geneticamente para ajudar os outros. A história tem toda uma ingenuidade, que você tem vontade de abraçar os personagens. Há momentos tão belos vividos por eles, descobertas, coisas tão bobas ao nosso ver, mas que fazem o filme rodar lentamente. Não adianta por em palavras o sentimento após ver esse filme, todo mundo deveria assistir e depois ficar pensando sobre ele, porque ele foi feito exatamente para isso, você não vai encontrar mil explicações sobre a vida deles, como tudo funciona, como foram feitos, é feito simplesmente para você se deixar imaginar e pensar por ele, e depois não querer largá-lo mais. Um nome nunca fez tanto sentido depois de ler/assistir esse filme, porque você realmente não consegue largá-lo.

Efeitos e defeitos.

Uma das coisas que sempre reparo e me fazem ficar bastante decepcionado no cenário do horror e cinema fantástico em geral, são as produções de efeitos especiais e a maquiagem introduzidas atualmente. Com o avanço da tecnologia e a invasão dos computadores para facilitar os trabalhos, foi inevitável a artificialidade do que antes se precisava de muita criatividade e imaginação.

Alguns abusam dessa “mãozinha” tecnológica, o que torna a película algo  dissimulado e absurdamente tosco. Claro que em tudo há uma exceção, existe boas  produções, onde a inserção de efeitos computadorizados é imprescindível. Como  em filmes de monstros super desenvolvidos, poderes sobrenaturais made in Japan,  superheróis, entre outros.

Nas produções do passado a coisa era outra, ou você tinha uma imaginação fértil e  inventividade, ou os efeitos e maquiagens do filme iriam por água abaixo. A década  de maior expressividade nesse setor com certeza foi a de 1980, com filmes como:  Cannibal Holocaust, Guinea Pig, Evil Dead, Day of the Dead, City of Living Dead,  Friday The 13th, Hell Night, Re-Animator, House by the Cemetary. Histórias de  zumbis, canibalismo e slashers foi um prato cheio para por em prática toda a  sanguinária maquiagem característica desses estilos. Sangues artificiais e até  mesmo de animais, massas de modelar, bonecos, gelatinas, espumas, mascaras;  foram usados de maneira a ser o mais real possível, o que muitas vezes enganavam  os espectadores mais leigos.

A maquiagem não é só um recurso estético para o cinema, é também essencial para elaboração do personagem. Acrescentando no ator/atriz alguma característica que ele (a) não tenha.

Um dos maiores mestres dos efeitos especiais de filmes de Terror dos últimos 30 anos é o ator, diretor, maquiador Tom Savini. Qualquer pessoa que seja fã do gênero deveria conhecer a trajetória desse cara, responsável pelos efeitos e maquiagens de filmes como: Despertar dos Mortos (1978), Sexta-Feira 13 (1980), O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986), Dia dos Mortos (1985), Sexta-Feira 13 – Capítulo Final (1984), Maniac (1980) – onde ele próprio faz uma participação como vítima e tem cabeça explodida por uma espingarda, sem cortes.

Talvez a beleza do bom efeito especial e maquiagem estejam na falta de orçamento e limitação de recursos. Isso estimulava toda a criatividade e tirava toda a pretensão do filme se tornar uma grande produção. Ultimamente com tantos remakes desnecessários de filmes horror, poderia ser a deixa para produzirem algo tão bom quanto o original, talvez assim os remakes seriam menos odiados pelos fãs das películas originais.