Zumbis: As Vezes Os Mortos Voltam

“Quando não houver mais lugar no inferno os mortos caminharão sobre a terra”, é com essa celebre frase do exemplar filme Despertar dos Mortos (1978) que venho tentar mostrar um pouco como surgiu e como até hoje os mortos vivos ainda fazem sucesso. Tomando conta de filmes, livros, séries de televisão, brinquedos e da cultura mundial. Especificamente sobre a influência desse tema no cinema é o que abordei nesse post.

Lanchinho

LEVANTE E ANDE!

A história de que os mortos podem andar e até ser controlados, vem da crença popular africana explorada no Vodu, onde acreditam que uma pessoa morta pode ser revivida por um feiticeiro. A palavra ‘Zumbi’ vem de um idioma africano, e significa ‘alma de pessoa falecida’.

O primeiro filme a explorar o tema sobre zumbis foi White Zombie – Zumbi Branco (1932). O filme tem como ator principal o saudoso e eterno ‘Drácula’ Bela Lugosi, interpretando Legendre, um feiticeiro que revive os mortos para trabalharem em sua fábrica. Dirigido por Edward Halperin e Victor Halperin. A idéia deu tão certo que em 1936 houve uma seqüência também dirigida por eles chamado Revolt Of The Zombies (Revolta Dos Zumbis).

             

Mas o tema se tornou realmente notório 32 anos depois com o lançamento do clássico absoluto Night Of The Living Dead – A Noite dos Mortos Vivos (1968),  dirigido pelo diretor George A. Romero, é considerado o pai dos filmes modernos sobre a temática zumbi. Com um orçamento de pouco mais de 110 mil dólares e utilizando escassos cenários, se tornou polêmico por sua violência explicita e final “não feliz”, chamado até de satânico e muito criticado pelos mais conservadores.

A partir daí a coisa tomou novos ares e se espalhou pelo mundo todo, em 1971 o diretor espanhol  Amando de Ossorio nos amedronta com o assombroso e impressionante La  Noche Del Terror Ciego – A Noite do Terror Cego, o filme narra a lenda dos Cavaleiros Templários, que em um dia especifico levantam de suas tumbas atraídos pela respiração e gritos de suas vítimas. Gore e mais gore, cenas realmente impressionantes.

Em 1978 George A. Romero nos presenteia com a seqüência Dawn of the Dead – Despertar dos Mortos. Onde um grupo de pessoas se refugia em um shopping num mundo já tomando por zumbis, criticando explicitamente o consumismo das pessoas até mesmo após a morte.

Outro país que pegou carona nas obras americanas foi a Itália, não que isso tenha sido ruim, pelo contrário, o diretor Lucio Fulci conseguiu nos mostrar em Zombie – Zumbi 2 (1979) os zumbis na sua pior forma possível, putrefatos, caindo aos pedaços, coberto de vermes e saindo de túmulos. Não é um filme para todos os gostos, tem que ter estômago, destaque para a cena onde um zumbi lentamente empurra a mulher até um pedaço de madeira furando seu olho.

Os anos que se seguiram foram de ascensão do tema, com o gore de Day of the Dead – Dias dos Mortos(1985) , também dirigido por George Romero; o divertido The Return of the Living Dead – A Volta dos Mortos Vivos (1985), baseado no primeiro filme de Romero, mas aqui numa versão “comédia”; The Serpent and the Rainbow – A Maldição dos Mortos Vivos (1987), dirigido pelo inventor do Freddy Krueger, Wes Craven; já em 1990 temos o remake de Night Of Living Dead, dirigido por Tom Savini, conhecido como um dos reis dos efeitos especiais no mundo do terror.

    

  

DE VOLTA PRA TUMBA

Os anos 1990 não tiveram muita notoriedade nesse subgênero, sendo um pouco esquecido por algum tempo. Destaque para Braindead aka. Dead Alive – Fome Animal (1992), um ícone trash dirigido pelo vendido Peter Jackson, é, antes de Senhor dos Anéis o cara contribuiu muito para o mundo do horror.Merece destaque também o italiano Dellamorte Dellamore aka Cemetery Man – Pelo Amor e Pela Morte (1994), Francesco é o zelador de um cemitério, cuidando de enterros e de toda infraestrutura do lugar, o único problema é que após 7 dias os mortos voltam a vida, e sua missão é dar aquele velho headshot. Até que um dia ele se apaixona pela viúva de um dos falecidos que visita freqüentemente o túmulo do moribundo. Após uma cena de sexo bucólica num túmulo a viúva é mordida pelo marido zumbi, agora matar ou não matar a mulher de sua vida? Eis a questão. Parece meio estranha a história, mas nada disso, é bem surreal e inteligente, dando uma boa passada pelo humor negro, mais uma bela obra italiana.
  

 

 

ASCENSÃO: VELOZES,  FURIOSOS E FORTES 

Já nos anos 2000 a horda zumbi está de volta, só que dessa vez um pouco mais ligeira e sem muita criatividade.

Em 2002 temos o fraco e sem sal Resident Evil – Resident Evil: O Hospede Maldito, baseado no clássico jogo de vídeo game, o filme agradou apenas aos fãs do jogo e jovens que nunca tinham assistido a qualquer filme sobre zumbi de verdade; no mesmo ano temos ainda o até interessante 28 Days Later – Exterminio (2002), o filme conta a história de Jim, um rapaz que após 28 dias em coma acorda no hospital abandonado e se vê numa cidade deserta, começa ai uma jornada pela sobrevivência sem saber o que realmente aconteceu; em 2004 temos outro remake de um filme de George Romero, Dawn of the Dead – Madrugada dos Mortos, filme em que os zumbis são fortes e correm (?), atrás de suas vítimas trancafiadas em um shopping, também cultuado por muitos, mas verdadeiramente desnecessário.

Mas como uma luz no meio de tantos filmes medianos, eis que o ‘pai dos zumbis’ nos salva outra vez com o ótimo Land of the Dead – Terra dos Mortos (2005), George Romero dessa vez usa um pouco da tecnologia para contar uma história de uma terra tomada por zumbis, os poucos humanos que sobraram vivem em uma cidade cercado por muros e barreiras. Enquanto os mais ricos vivem em prédios isolados e protegidos controlados por um milionário, os moradores mais pobres sucumbem pelas ruas, onde a violência, o uso de drogas e roubos proliferam cada dia mais, aquela velha crítica sempre presente nos filmes de Romero, esse é o cara!

E não poderia de deixar de comentar a surpresa e originalidade de [Rec] – [Rec] (2007), criado pelos espanhóis Jaume Balagueró e Paco Plaza, o filme trouxe a tona uma velha forma de narrativa, o mockumentary –  falsos documentários, feitos para enganar o espectador, ficou mais popularizado após o lançamento de ‘A Bruxa de Blair’. Toda a história é mostrada através da câmera de uma reportagem, onde uma repórter e um câmera gravam um programa sobre a vida noturna num batalhão de bombeiros, após um chamada supostamente comum, eles acompanham os bombeiros até um prédio e lá descobrem que a coisa é mais séria do que pensavam. Ótimas cenas de sustos, reviravoltas na história e o tema do satanismo inserido de maneira bem interessante tornaram essa película um grande destaque no meio de tanta bomba lançada ultimamente.

Também em 2007 temos outro filme de Romero, Diary of the Dead – Diários dos Mortos (2007), também usando a narrativa de mockumentary, onde os próprios personagens é que filmam a história num mundo invadido por zumbis enquanto tentam sobreviver, muitas cenas de violência como sempre.

             

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO ATACADO!

Nos anos 2000 também tiveram a volta do chamado “terrir”, apresentado pela primeira vez com o tema zumbi ‘A Voltado dos Mortos Vivos’, já citado aqui. Mostrando que nem tudo deve ser levado a sério, nem mesmo o mundo pós-apocalíptico, temos películas até divertidas como o britânico Shaun of the Dead – Todo Mundo Quase Morto (2004), conta de maneira hilária a história “romântica” de Shaun, um cara inútil e acostumado a todo dia com a rotina tosca de sua vida, conseguindo assim com seu desleixo com tudo perder sua namorada, até que zumbis começam invadir a cidade, demorando a ser percebido por ele a situação. Cenas bem engraçadas, críticas e paródias de clichês em filmes de zumbis, tornam essa película indispensável pra quem curte humor negro.

Outro que bebeu da fonte do terrir zumbi é o canadense Fido – Fido: O Mascote (2006), filme mostra a história de uma família numa cidade onde é comum os zumbis perambularem pela ruas, com isso uma empresa inventa uma coleira que deixa os zumbis dóceis e úteis para os humanos. Timmy, um garoto solitário, tem sua vida mudada após sua mãe lhe dá de presente um zumbi como mascote, tornando-se seu melhor amigo. Filme faz uma critica bacana sobre o preconceito e as recompensas de se arriscar por alguém.

Nem só de Black Metal vive a Noruega, de lá também surgiu um terrir bacana, Død Snø – Dead Snow (2009), narra a história de um grupo de jovens que vão para uma estação de esqui meia isolada do mundo, lá eles encontram um velho que conta sobre uma batalha com soldados nazistas que houve no lugar. Depois de encontrarem um baú cheio de ouro eles sem querer acordam a horda de zumbis nazistas mortos ali. É um filme bacana, se você relevar os erros de roteiros e pensar só na diversão, muito gore e cenas tão absurdas que só nos resta rir.

Zombieland – Zumbilândia (2009), filme foi um sucesso comercial arrecadou cerca de US$102,133,700 mundialmente, se tornando a maior bilheteria de um filme sobre zumbis. Por que? Só vendo para perceber que é merecido. Arranca risos em situações toscas e desnecessários, mas de tão bem feitas acabam sendo divertidas. Columbus é um cara extremamente covarde, mas tem seus próprios métodos para sobreviver em um mundo infestado por zumbis, que se junta com mais duas garotas e um caçador de zumbis bravinho. É risada no começo ao fim, temos até a participação de Bill Murray, interpretando ele mesmo (?), isso mesmo, o gordinho do Caça Fantasmas.

Lembrem-se: Atire sempre na cabeça!

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